Curitiba - O secretário nacional de Agricultura Familiar, Valter Bianchini, anunciou ontem, em Curitiba, que as duas principais reivindicações dos agricultores familiares do Paraná serão atendidas pelo governo federal. A primeira atenderá ainda para essa safra os produtores com renda de até R$ 2 mil de municípios do Ribeira e da região Centro-Oeste. Esse setor, que atualmente não tem acesso a linhas de crédito poderá aderir em maio ao microcrédito do Banco do Brasil (BB), que prevê empréstimos de até R$ 1 mil, com subsídios de 25% e prazo de dois anos para pagamento.
Essa linha de microcrédito, criada para atender agricultores carentes, classificados como B, existe hoje apenas no Nordeste. A Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Paraná (Fetaep) reivindicava a extensão da classificação B para a região. Segundo o diretor de Política Agrícola da Fetaep, Mário Plefk, dos 320 mil agricultores familiares do Estado, quase 50 mil se encontram nessa faixa e não têm acesso a crédito. A maioria, aproximadamente 200 mil, está na categoria C (com rendimento até 14 mil). A meta é o BB atender 30 mil agricultores fora do Nordeste com o microcrédito.
A outra medida só será implantada na próxima safra. Trata-se da criação de rubricas próprias dentro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) para mulheres e jovens. O problema, de acordo com Plefk, é que hoje mulheres e jovens estão incluídos na mesma rubrica que os demais agricultores, com um sobreteto de crédito de 50% do bolo familiar. ''Com isso, eles tiram vaga de outros agricultores'', explica.
Bianchini esteve em Curitiba para participar do Encontro da Região Centro-Sul da Confederação Nacional dos Trabalhadores dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), que reuniu dirigentes das 11 federações de trabalhadores rurais das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A Contag realizou encontros semelhantes nas regiões Norte e Nordeste.
O objetivo é preparar o 10º Grito da Terra Nacional, que reunirá cerca de cinco mil agricultores familiares em Brasília, entre 17 a 20 de maio. Antes, entre os dias 10 e 17, as lideranças do setor se encontram com autoridades para negociar os itens da pauta de reivindicações entregue ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último dia 20. Em junho, como ocorre todos os anos, ocorrerá o Grito da Terra Estadual. O Grito da Terra Brasil também reúne reivindicações para a reforma agrária, fiscalização dos direitos trabalhistas e segurança no campo.
Uma preocupação nacional dos agricultores é garantir um incremento substancial no Pronaf para a safra 2004/2005, cujos investimentos encerram em 30 de junho próximo. Na pauta entregue ao presidente Lula o setor pede a liberação de R$ 13 bilhões para o programa. ''Com esse recurso, o Pronaf chegaria a todos os municípios e regiões, alcançando dois terços dos agricultores'', calcula Natal Ribeiro Maciel, secretário de Política Agrícola da Contag. Bianchini já adiantou, no encontro de ontem, disposição do governo de chegar a R$ 8 bilhões no próximo ano.

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