O diretor de Crédito Rural do Banco do Brasil, Ricardo Alves Conceição, anunciou na noite de segunda-feira, em Londrina, a liberação de R$ 645 milhões para o custeio da safra de verão que começa a ser plantada em todo o País. ‘‘A partir do dia primeiro de outubro estes recursos já estarão à disposição para os agricultores’’, garantiu Conceição. Para o Paraná, disse ele, o BB irá destinar R$ 100 milhões do total anunciado.
Ricardo Conceição observou que o governo quer garantir a liberação de recursos após as eleições. ‘‘As eleições são um processo que não pode comprometer o andamento da safra do País’’, comentou. O diretor do BB afirmou também que os juros (8,75% e 5,75%) e o volume anunciados inicialmente (R$ 10 bi) serão mantidos. (Leia nesta página entrevista com o diretor de Crédito Rural do BB).
Inauguração O diretor do BB esteve em Londrina para inaugurar a Sala de Agronegócios, instalada na agência Pioneiros. Conceição disse que a sala mostra a nova postura do BB em relação aos seus clientes. ‘‘Nada mais justo do que montar uma estrutura adequada para o cliente rural, que tem grande representatividade na região’’, comentou. Ontem, foi inaugurada a Sala de Agronegócios, de Cornélio Procópio.
Durante a inauguração da Sala foram realizados os dois primeiros negócios com a venda de CPR de trigo e milho. Segundo o superintendente regional do BB, Altino Ramos Costa, o negócio foi feito entre a Cooperativa Integrada de Londrina e uma agroindústria. Foram negociadas 300 mil sacas de milho e 217 mil sacas de trigo. ‘‘Os produtores têm a garantia de receber bom preço e a agroindústria a garantia de fornecimento de matéria-prima’’, comentou. A saca de milho chegou a ser negociada a R$ 8,30, para entrega em janeiro. O trigo ficou no preço mínimo (R$ 157,00), para entrega até 31 de dezembro.
O gerente de Negócios do BB, Edson Pascoal Cardozo, disse que o negócio coincidiu com a abertura de uma linha de crédito para agroindústrias adquirirem produtos através da CPR. Através da nova linha, o BB financia 80% do volume necessário para o negócio, que será pago em seis parcelas, a partir do recebimento. ‘‘Os produtores recebem no ato do negócio, com o dinheiro depositado direto na conta’’, comentou.
Além desta operação, na Sala de Agronegócios, os produtores rurais poderão vender a produção, comprar insumos, fazer CPR, ofertar produtos nos leilões eletrônicos do BB e fazer trava de preços futuros (Hedge). Além de acessarem informações de mercado nacional e internacional, serviço agrometeorológico e acompanhamento de uma empresa de consultoria de mercado agrícola, a CMA. A sala, foi viabilizada através de uma parceria entre o BB, Sociedade Rural do Paraná e Sindicato Rural de Londrina. Segundo Costa, um funcionário contratado pelos parceiros do BB irá auxiliar e orientar os produtores que forem utilizar os serviços prestados. ‘‘A Sala de Agronegócios está aberta a todos os produtores interessados, sem custos para obter informações. Será cobrada uma taxa sobre os negócios realizados’’, comentou Costa. A taxa incidente sobre leilão de produto físico varia entre 0,04% e 1,%, sem a incidência do Funrural (2,%). Nos negócios com CPR não há taxas.
O presidente do Sindicato Rural de Londrina, Edison Mazei Ponti, observou que através da Sala os produtores poderão se informar sobre o mercado e buscar os melhores negócios. ‘‘A informação é a melhor ferramenta para o produtor vender bem’’, disse. O presidente da Rural, Francisco Galli, observou que ‘‘neste momento de crise, é importante para o produtor ter um instrumento que garanta sua permanência na atividade’’.

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