BRASÍLIA - O Banco do Brasil anunciou ontem oficialmente o maior prejuízo de sua história. Como já era esperado, o balanço de 1996 ficou negativo em R$ 7,525 bilhões. Ao anunciar o resultado, o presidente do BB, Paulo César Ximenes preferiu comemorar o lucro de R$ 254,9 milhões obtido no segundo semestre, após o programa de reestruturação do Banco do Brasil, que exigiu um aporte de R$ 8 bilhões por parte do Tesouro Nacional para sanear as contas. É o primeiro semestre positivo desde junho de 1994.
‘‘Esse é o início de uma nova fase de resultados’’, afirmou Ximenes. ‘‘O banco continua crescendo em sua área de atuação.’’ O balanço ainda indica uma taxa de retorno anualizada para as ações de 9,3% em 1996. Segundo Ximenes, é um índice bom, e a meta é chegar a 12%. No ano, o Banco do Brasil teve uma receita de R$ 11,9 bilhões em intermediações financeiras, incluindo R$ 6,3 bilhões em operações de crédito. O banco também arrecadou R$ 2,14 bilhões de receitas de prestação de serviços, 44,47% a mais que o resultado obtido em 1995.
RomboAs despesas com pessoal foram de R$ 6,5 bilhões, um resultado 3,99% superior ao de 1995. Já as despesas da intermediação financeira foram de R$ 15,5 bilhões durante o ano. É o segundo ano consecutivo de prejuízos. Em 1995, o resultado ficou negativo em R$ 4,2 bilhões. O último ano em que se verificou um lucro foi em 1994, quando o resultado foi positivo em R$ 123 milhões. Os resultados negativos, porém, já são computados desde o segundo semestre de 1994, quando registrou-se um rombo de R$ 85 milhões.
Apesar desses números, a diretoria do Banco do Brasil só destacou os resultados positivos do segundo semestre. ‘‘Conseguimos elevar em quatro vezes o valor das ações do banco’’, comemorou Carlos Gilberto Caetano, diretor de finanças.
Segundo ele, em fevereiro de 1995, quando a atual diretoria assumiu, o mercado de capitais só pagava 30% do valor de face das ações e se fosse vendido, o Banco do Brasil valeria R$ 1,1 bilhão. ‘‘Hoje, o mercado paga 120% do valor das ações e o banco vale cerca de R$ 7 bilhões’’, disse Caetano. O patrimônio líquido do banco chegou em dezembro a R$ 5,59 bilhões.

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