Vânia Casado
De Curitiba
A Superintendência do Banco do Brasil vai antecipar a liberação de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões, em recursos da dotação orçamentária do banco que seriam liberados apenas no mês de dezembro. A medida foi autorizada pelo diretor de crédito rural do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, após reunião realizada entre a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Paraná (Fetaep) e superintendência do BB no Paraná.
Essa liberação, no entanto, não é suficiente para atender o aumento da demanda por crédito de custeio pela linha de crédito do Pronaf. Para a Fetaep, essa antecipação ajuda, mas não resolve o problema da falta de recursos. Diante disso, as bases sindicais estão mesmo dispostas a fechar agências do BB e a agência do Banco Central no Paraná a partir da próxima semana, informou Sergio Gutierrez, assessor econômico da entidade.
O gerente de crédito rural do BB, Josemar Horst também admite que os recursos disponíveis no BB não são suficientes para atender a demanda do Pronaf, que está avaliada em R$ 50 milhões para o Paraná. Horst admite que o dinheiro reivindicado pelos agricultores familiares não está disponível no banco, porque não foram equalizados. E BB não é o detentor dos recursos do Pronaf, ele é apenas um repassador, salientou.
Segundo Gutierrez, está faltando recursos na linha do Pronaf porque o governo federal não liberou recursos para a equalização das taxas de juros de um montante de R$ 1,4 bilhão, que seriam os recursos anunciados para o custeio. A equalização permite o Banco do Brasil cobrir a diferença entre a captação da taxa de juros no mercado e a taxa cobrada nos financiamentos aos agricultores familiares, que é de 5,75%.
A revolta dos sindicatos de trabalhadores rurais que prometem bloquear as agências é a falta de dinheiro novo para atender o aumento da demanda do Pronaf. Até agora, o BB está apenas reaplicando o dinheiro da safra passada, e mesmo assim deixou de atender propostas que somam R$ 12 milhões. Outro motivo de revolta é o fato de o BB priorizar os clientes do banco que financiaram na safra passada e estão com seus débitos em dia. Para Gutierrez, os recursos da linha de crédito do Pronaf são oriundos do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador), portanto não são do banco. ‘‘O dinheiro é do FAT e o BB não pode priorizar os seus clientes’’, criticou.
Durante a reunião, a diretoria da Fetaep conseguiu que o BB enquadre as operações do Pronaf e Pronafinho no Proagro (seguro rural). Ocorre que muitas agências estavam recusando o enquadramento do Proagro nos financiamentos do Pronaf, o que estava aumentando o nível de revolta dos agricultores familiares contra o banco.

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