Venilson Ferreira
Agência Estado
Ao apresentar ontem um balanço do desempenho deste ano do Banco do Brasil na área agrícola, o diretor de Negócios Rurais do BB, Ricardo Conceição, admitiu que houve dificuldades para que os produtores tivessem acesso ao crédito. Ele disse que houve atraso na liberação dos recursos para custeio, porque as regras que orientariam esse tipo de financiamento só sairam no dia 20 de agosto. Mas não foi apenas isto. Também faltou recurso do orçamento e dos depósitos bancários à vista (exigibilidade bancária). Admitiu que o fato prejudicou a safra.
Segundo avaliação do BB, a área cultivada este ano deverá ficar mesmo na projeção feita pela Embrapa, que foi de 36,87 milhões de hectares, com uma produção estimada em 83,43 milhões de toneladas, a mesma anunciada pelo ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, que a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) vem contestando.
CPR O BB pretende investir pesado no setor de comercialização no ano 2000, segundo Conceição. A intenção, conforme ele, é a de fortalecer mais o uso das CPRs (Cédulas do Produtor Rural) e ampliar as salas de negócio do banco para que o produtor tenha acesso mais fácil e rápido às informações do setor. No próximo ano deverá ser enviado o projeto de lei ao Congresso que institui a CPR financeira. Com isso o produtor terá mais uma opção além da CPR física que funciona hoje.
O Banco do Brasil já liberou R$ 4,686 bilhões no semestre (julho/dezembro) para a safra 1999/2000, valor 5,33% maior que a quantia liberada em igual período do ano passado, informou o diretor de Negócios Rurais do Banco do Brasil, Ricardo Conceição, em entrevista coletiva.
Segundo o diretor, a intenção do BB é a de chegar a julho do próximo ano, quando acaba a safra, com uma liberação total de R$ 7,100 bilhões. Do total já liberado neste segundo semestre, R$ 3,4 bilhões se destinaram ao custeio da safra (8 58% a mais que no ano mesmo período do ano passado); R$ 342,033 milhões para investimento (10,80% a mais que jul/dez-98); 435 148 milhões para comercialização (9,27% a mais que jul/dez-98); R$ 98,770 milhões para Fundo do Centro Oeste (FCO); e R$ 410,143 milhões para o Fundo Nacional do Café (Funcafé).
Essas duas últimas liberações foram maiores que as realizadas no mesmo período do ano passado. Ricardo Conceição explicou que os recursos do fundo constitucional do Centro Oeste diminuiram porque uma medida provisória, que até hoje não foi transformada em lei, encareceu a tomada dos recursos. Em relação ao Funcafé, Conceição disse que as liberações ainda estão sendo feitas.Diretor de crédito do BB confirma que agricultores não tiveram crédito e promete ‘‘investir na comercialização’’
‘‘MEA CULPA’’O diretor de crédito do BB, Conceição: regras para orientar o crédito saíram com atraso

mockup