O consumidor brasileiro pagará 3,9% mais pela Aspirina 05 (versão tradicional do produto) a partir do dia 1º de maio. Produzido há 100 anos pela Bayer, o analgésico já teve seu preço reajustado em 3,9% no início deste mês. A causa alegada pela Bayer, que fabrica o medicamento, é a desvalorização cambial, que aumentou os valores dos insumos importados.
As outras dez marcas de remédios fabricados pelo grupo também terão acréscimos de 0,8% a 8% no próximo mês. Como 100% do ácido acetilsalicílico usado na Aspirina Infantil vem da Espanha, o preço do produto acumulou um aumento de 16% nos últimos 60 dias.
O presidente da Bayer S/A e porta-voz do grupo no Brasil, Helge Karsten Reimelt, disse que os aumentos nos preços dos remédios poderão ser ainda maiores caso o dólar continue superior a R$ 1,70. Reimelt e diretores do grupo concederam entrevista coletiva à imprensa ontem no Club Transatlântico, em São Paulo, para falar sobre os números da Bayer, empresa fundada na Alemanha em 1863.
O grupo prevê um faturamento menor neste ano por conta da desvalorização do real. No ano passado, as empresas do grupo Bayer no Brasil tiveram um faturamento de mais de US$ 1 bilhão, o que significou crescimento de 6% em relação a 97. Mas também por causa da devalorização do câmbio, o grupo projeta exportações e vendas maiores este ano. ‘‘Devemos vender mais e faturar menos’’, afirmou Reimelt, que espera uma retomada nos negócios a partir deste mês. Em janeiro e fevereiro, as vendas da Bayer no Brasil caíram 20% em relação ao mesmo período do ano passado. Em 98, o grupo exportou o equivalente a US$ 40 milhões, sendo que 60% foi para países do Mercosul. ‘‘Neste ano, devemos aumentar em 10% a exportação para o Mercosul’’, calcula Reimelt.
O diretor da divisão Aspirina, Claus Willi Piotrowski, espera vender 500 milhões de comprimidos neste ano. ‘‘Este foi nosso recorde, em 1996’’, disse. No ano passado, foram vendidos 450 milhões de comprimidos Aspirina, carro-chefe do setor farmacêutico da Bayer.
O grupo está se reestruturando desde o ano passado para não sucumbir à concorrência. A Bayer, que tem seis empresas em diversas áreas, está condensando suas atividades nos setores químico, polímeros (plásticos), saúde e agropecuária. Em junho, as ações da AGFA serão disponibilizadas em Bolsa por conta desta política. ‘‘Pretendemos vender 70% neste ano e 10% no ano 2000, ficando com 20% da empresa’’. A AGFA produz chapas de impressão off set e filmes fotográficos, entre outros.
A partir de agosto, quando será inaugurado um parque industrial no complexo da Bayer em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, o grupo também passará a ser prestador de serviços a outras empresas. A Bayer investiu US$ 37 milhões no Brasil no ano passado. No mundo, o grupo está dividido em 350 empresas, gerando mais de 145.000 empregos.DivulgaçãoCarro-chefeProdução da aspirina: 450 milhões de comprimidos vendidos em 98Cláudia Lopes

mockup