O presidente da Cooperativa de Produção Batavo, Franke Dijkstra, reuniu a imprensa ontem em Carambeí para anunciar o processo de fusão das cooperativas de produção ABC. As cooperativas Batavo, Arapoti e Castrolanda vão passar o controle acionário para a Parmalat que está adquirindo a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná (CCLPL).
Dijkstra admite que as negociações em torno da venda da Central chegaram a emperrar em função de ajustes em torno do custo do leite. A exigência das cooperativas é que a Cooperativa Central continue pagando entre 20% e 30% acima da média de preço praticada no mercado paranaense. Segundo ele, o custo de produção na região para o produtor é de R$ 0,25 o litro e a Central está pagando R$ 0,30 o litro.
Dijkstra não revelou preocupação em relação à perda do controle acionário da Central por parte das cooperativas. Segundo ele, essa situação será compensada pelo fortalecimento da nova cooperativa de produção que está sendo unificada.
A cooperativa terá mais poder de negociação com a indústria e necessariamente não estará obrigada a entregar sua produção à Central, afirmou o presidente da Batavo. ‘‘Ela só vai entregar o que estiver em contrato, fora disso poderá entregar para quem quiser’’, reforçou.
Franke Dijkstra negou que o processo de fusão das três cooperativas singulares esteja vinculado à negociação de venda do controle acionário da CCLPL. Ele não vê correlação entre as alterações que estão sendo feitas e atribuiu os fatos a uma coincidência.
Para Dijkstra a nova cooperativa de produção terá como argumento o fato de oferecer um produto de alta qualidade, reconhecido como um dos melhores do país e uma bacia leiteira altamente tecnificada. As cooperativas do ABC são as únicas que carregam o leite a granel já resfriado nas fazendas, disse. Em função dessa qualidade e do nome que tem no mercado ele acredita que a CCLPL, mesmo controlada por outro grupo não vai se importar em pagar um preço melhor. Aliás, esse é um dos principais atrativos da região, reforçou.
Franke Dijkstra repetiu os detalhes do processo de fusão das cooperativas de produção Arapoti, Batavo e Castrolanda antecipados por este Jornal. O faturamento das três cooperativas soma R$ 400 milhões e a pretensão é ampliar esse valor com a implementação de projetos para crescimento nas áreas de produção. O objetivo é atrair novos produtores da região num raio de 50 quilômetros em torno de Carambeí, que abrange aproximadamente 20 municípios.
Atualmente elas contam com 1,7 mil associados que ocupam 150 mil hectares com culturas de verão, principalmente o milho, que na região atinge uma produtividade de 6.700 quilos por hectare, enquanto que a média brasileira está em torno de 2.300 quilos por hectare. Além do milho, os produtores associados cultivam soja, feijão e batata. No inverno o trigo ocupa uma área superior a 30 mil hectares, com produtividade de 2.700 quilos por hectare seguido de triticale e culturas menores como pastagens, forrageiras e cobertura verde.
A pecuária leiteira das três cooperativas abrange um plantel de cerca de 35 mil vacas adultas, com produtividade média de 25 litros por vaca/dia. A produção anual é superior a 150 milhões de litros. O potencial produtivo na área de suínos frango é igualmente de 50 milhões de quilos por ano
Ele não descartou outras parcerias nos setores de industrialização. A CCLPL já havia manifestado a intenção de não industrializar mais aves em função da margem de lucro muito restrita e Dijkstra não descartou a procura de outros grupos para garantir a entrega da produção de aves dos cooperados. Mas ele antecipou que o novo grupo poderá até reverter essa posição e voltar a industrializar o frango.

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