Batavia investe R$ 23 mi em frigorífico
Rosangela Capozoli
Agência Estados
A Sadia, que sempre dominou o mercado de peru, com participação de 95%, acaba de ganhar um concorrente. A Batavia S/A, controlada pelo grupo italiano Parmalat, decidiu disputar o segmento e ganhar uma gorda fatia em apenas um ano. Acaba de consolidar investimentos da ordem de R$ 23 milhões na construção de um frigorífico, em Carambeí, no Paraná, para abate e industrialização de perus e produtos derivados.
A intenção é conquistar entre 15% e 20% deste mercado até o ano 2000, afirma Flávio Kaiber, diretor de carnes da Batavia. Entre as maiores agroindústrias de produtos de alimentos do País, sua capacidade instalada de abate é de 2 mil aves/hora e a industrialização está em torno de 8 mil aves/dia.
A produção será ampliada na proporção da demanda, afirma. Ele estima o consumo brasileiro da ave entre 90 mil e 100 mil toneladas anuais. Pelas suas contas, a capacidade instalada de 300 dias de operação, ao longo do ano, deverá ocasionar uma produção global na casa dos 4,8 milhões de aves (média de 5 quilos), ou seja, perto de 24 mil toneladas/ano.
Mercado crescente Achilles Reinhardt, diretor geral da
empresa, estima um forte potencial de crescimento do setor para os próximos anos. O consumo tende a crescer, com a incorporação de hábitos de alimentação mais saudáveis e o número da idade média da população, que passa a exigir produtos com menos calorias, colesterol e gordura, como é o caso do peru, explica.
Segundo Kaiber, a produção de 24 mil toneladas poderá duplicar ou até mesmo triplicar no próximo ano. Reinhardt calcula que o consumo de peru não chega a 600 gramas per capita. Para se ter uma idéia do baixo consumo deste tipo de carne no País, o brasileiro consome por ano cerca de 26 quilos de carne de frango, 10 quilos de suína e 26 quilos de bovina.
O mercado de carne de peru no Brasil, hoje dominado pela Sadia, de acordo com os dados do Serviço de Inspeção Federal (SIF), foi de aproximadamente 14,8 milhões cabeças no ano passado. Deste total, 11,6 milhões em Santa Catarina (Chapecó) e 3,2 milhões no Paraná (Francisco Beltrão).
Nos primeiros oito meses deste ano, os abates na unidade catarinense atingiram 7,77 milhões de cabeças. No Paraná, os dados ainda não foram computados. Mas em anos anteriores, os abates atingiram cerca de mil aves/dia de janeiro a junho saltando para 25 a 30 mil/dia no segundo semestre. Somando-se as duas unidades, a Sadia deve produzir 90 mil aves por dia no pico da produção, conforme levantamento do SIF. A assessoria da Sadia informou que a empresa não divulga produção.
As matrizes, explica Kaiber, foram importadas da Inglaterra e dando origem a aves que, engordadas pelos 100 produtores integrados, chegam ao abate com peso oscilando entre 4 quilos e 12 quilos.
Preços A escassez de milho no mercado interno vai
encarecer os preços das aves nas festas de final de ano. Ricardo Menezes, diretor de Relações Institucionais da Perdigão, afirma que a empresa vai repassar 10% dos custos no preço do chester, que atingiram, em média, 15%.
Para a linha de pernil, tender e presuntos defumados, a empresa acumula acréscimo da ordem de 12% no custo, mas repassará 8%. A Perdigão aposta num crescimento de 10% nas vendas de Natal. Serão 5, milhões de carne de chester e mil toneladas dos outros industrializados, afirma.





