Após amargar prejuízos durante os últimos três anos, o bataticultor da região metropolitana de Curitiba consegue lucrar com a produção. O preço do produto está aquecido, em torno de R$ 20,00 a saca, e as boas vendas provocaram uma corrida para compra de sementes e insumos para o plantio da safra das secas que começa em fevereiro. Não existe mais disponibilidade de semente da variedade Mona Lisa, a mais aceita no mercado. O mercado avalia que 95% da disponibilidade de semente já está vendida.
A volta aos lucros está sendo possível apenas para os produtores que incorporaram tecnologia na produção, plantando variedades procuradas pelo mercado. Os produtores que insistiram com as variedades comuns como Delta e Elvira continuam sem rentabilidade. A Associação dos Bataticultores do Paraná (Abapar) calcula que 20% dos 3.000 produtores de batata da região metropolitana de Curitiba já estão cultivando variedades como a Mona Lisa e Binge, que rendem 100% a mais do que as variedades comuns. Com o bom desempenho na comercialização a expectativa da Abapar é que na safra das secas, que começa em fevereiro, a área de plantio seja ampliada, passando de 10 mil a 12 mil hectares, para 14 mil a 15 mil hectares na região.
Segundo o presidente da Abapar, Paulo Dzierwa, nos últimos anos, os preços da batata ficaram abaixo do custo de produção, em torno de R$ 8,00 a saca, rendendo prejuízos ao produtor. Em função disso ocorreu uma descapitalização do setor que se acentuou quando os bancos cortaram os créditos dos produtores.
O resultado da combinação de descapitalização e corte de crédito foi a redução da área de plantio da região em 20%, que influenciou na redução de produção. Tradicionalmente a região metropolitana de Curitiba planta 44 mil hectares na safra das águas.
O efeito ‘‘ El ni¤o’’ que provocou chuvas excessivas durante o período de desenvolvimento da cultura também influenciou na redução da produção. Houve quebra de safra avaliada em 10% sobre a produção.
Segundo Dzierwa, os mesmos problemas que aconteceram aqui no Paraná também ocorreram em outros estados produtores como São Paulo e Minas Gerais, contribuindo para que a oferta de batata no mercado nacional seja reduzida, o que está provocando a alta de preços.
Em dezembro quando iniciou o período de comercialização da safra das águas, os preços pagos ao produtor variavam entre R$ 10,00 e R$ 12,00 a saca. Quando o mercado avaliou que a oferta de produção seria menor em todos os estados produtores, os preços se aqueceram rapidamente e avançaram para R$ 25,00 a R$ 30,00 a saca, inaugurando um período de euforia que há muito tempo não se via por aqui, contou Dzierwa.

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