Os bataticultores de Contenda, distante 35 quilômetros de Curitiba, chegaram ontem à capital e estacionaram seus caminhões e máquinas em frente ao Palácio Iguaçu, em protesto contra a execução judicial de seus bens. O líder do movimento Iolando Wojcik promete estender o movimento até que haja uma resposta. ‘‘Sem solução, não sairemos daqui mesmo que tenha que passar Natal e Ano Novo’’, declarou.
Os bens foram adquiridas entre 1994 e 1995, período que os preços agrícolas caíram abaixo dos custos de produção, enquanto a taxa de juros aumentou acima da inflação. Só em juros, os produtores pagaram mais do que o valor do trator. É o caso dos irmãos Felix e Floriano Wojcki. O financiamento que eles fizeram para compra de máquinas foram encaminhadas ao perito João Alfredo Knopick, de Curitiba, que concluiu que o pagamento foi excessivo.
No caso de Felix Wojcki, o Banco do Brasil ajuizou uma dívida de R$ 46.881,03 e o perito concluiu que o agricultor tem direito a um crédito de R$ 11.664,86. A dívida de Floriano Wojcki foi avaliada pelo banco em R$ 53.836,98 e o perito calculou que ele tem para receber R$ 16.568,52 só em juros que pagou a mais. Com este recálculo, os agricultores teriam que entrar na Justiça para pedir uma recontagem do valor que foi pago.
O agricultor Casemiro Duda também está na mira da Justiça. Em 94 financiou a compra de um trator por R$ 27.300,00. Em 1995 chegou a pagar a primeira parcela de R$ 8.000,00 e depois não conseguiu mais. Duda argumentou que em 96 perdeu dinheiro plantando batata. Investiu R$ 30,00 no saco de batata-semente, R$ 9,00 no saco de adubo e o resultado final apontou para um custo de produção de R$ 8,30 a saca. Entretanto, o agricultor vendeu a produção por R$ 2,50 o saco para competir com a batata argentina, cuja importação foi maciça naquele ano. A partir daí não conseguiu mais pagar as parcelas.
No mesmo ano foi chamado pelo banco para optar pela securitização. Na época estava devendo R$ 24.000,00. Com a securitização, transformando o valor da dívida correspondente ao mesmo valor em sacas de milho mais juros de 3% ao ano, a dívida pulou para R$ 41.000,00. ‘‘E hoje estou devendo R$ 49.000,00’’. De lá para cá, Duda não conseguiu mais crédito para financiamento e sua lavoura cada vez produz menos porque não tem recursos para investir em tecnologia.Foto Albari RosaNatal no IguaçuTratores em frente ao Palácio: produtores não saem sem apoio do governo do EstadoVânia Casado

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