Batata e carne puxam queda da cesta básica
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de março de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba A cesta básica de Curitiba teve queda pelo segundo mês consecutivo. Em fevereiro, a lista de 13 itens pesquisados pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) registrou uma deflação de 2,42%. A queda foi puxada pela batata que teve o preço reduzido em 18,78% e pela carne que caiu 5,46%. Caso estes dois produtos tivessem ficado com o preço estável, a cesta teria uma alta de 1,07%.
O economista do Dieese, Sandro Silva, explicou que a batata teve queda generalizada nas capitais pesquisadas pelo Dieese. A safra do produto começou no final de dezembro. De setembro de 2005 a janeiro de 2006, este alimento já tinha subido 160% e, só em janeiro, teve alta de 24%. Em setembro de 2005, o quilo custava R$ 0,82 e em janeiro chegou a R$ 2,13. Silva explica que a queda ocorreu devido à intensificação da safra e porque o preço estava muito alto.
A carne teve queda de 7,58% nos últimos dois meses em função de uma maior oferta do produto no mercado e da redução do consumo devido ao período de férias. O produto estava em um patamar de preço muito alto. Apesar da febre aftosa que foi detectada em algumas fazendas do rebanho paranaense, o preço da carne bovina subiu 15% entre setembro e dezembro de 2005. A carne teve grande influência no preço da cesta porque representa 35,9% do valor final.
Dos 13 produtos pesquisados pelo Dieese, oito subiram, um se manteve estável (leite) e quatro caíram. Ficaram mais caros o açúcar (10,71%), o café (5,75%), a banana (4,65%), o arroz (3,91%), a farinha de trigo (3,39%), o tomate (3,09%), o óleo de soja (3%) e o feijão (1,20%). O leite ficou estável. Além da batata e da carne, tiveram queda o pão ( 0,74) e a manteiga (-0,12%). No ano, a cesta apresenta queda de 10% e nos últimos 12 meses de 3%. O custo da cesta em fevereiro para uma família curitibana (marido, mulher e dois filhos) foi de R$ 477,63.
No mês passado, Curitiba teve a oitava cesta mais cara entre 16 capitais pesquisadas pelo Dieese e foi a quinta que mais caiu.
Nos últimos 12 meses, o produto da cesta que mais subiu foi o açúcar (20,16%) devido a vários fatores como a entressafra da cana-de-açúcar e o aumento do consumo do álcool. O produto que teve a maior queda foi o tomate com redução de 58,16%.
Em 1983, quando teve início a pesquisa da cesta básica pelo Dieese, os produtos comprometiam 73,14% do salário mínimo. Em 1990, este comprometimento chegou a quase 100% e era de 96,71%. Em 2006, o porcentual caiu para 53,73%. Silva explica que este porcentual menor pode ser explicado pelo fato de os alimentos terem subido menos que inflação nos últimos dez anos e porque o mínimo teve reajustes superiores à inflação.


