Batata-doce pode virar etanol no Estado
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quarta-feira, 25 de junho de 2008
Cláudia Palaci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Comissão de Meio Ambiente da Assembléia Legislativa irá pedir ao governo do Estado que estude a viabilidade da produção de etanol a partir da batata-doce. O assunto foi discutido ontem entre deputados e representantes dos órgãos estaduais de pesquisa e ecologia com a empresa BioEx Etanol, que já produz o biocombustível em usinas do Tocantins e em Ponta Grossa. A empresa defendeu que a atividade beneficia a agricultura familiar por ter baixo custo de produção (R$ 1800/hec), alta produtividade e privilegia solos mais pobres. No debate ficou acertado que uma regulamentação seria necessária para evitar uma migração em massa para a cultura, assim como foi com a cana-de-açúcar e gerou impacto na produção de outras cultivares.
Para o presidente da Comissão de Meio Ambiente, o deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB), a iniciativa precisa ser vista com prudência e merece estudos mais aprofundados. ''Vou propor para a Assembléia Legislativa uma regulamentação da produção e incentivos fiscais ao produtor no ICMS porque é uma excelente alternativa para a agricultura familiar'', planeja. Se for aprovada pelo governo, haverá zoneamento agrícola no Estado. Segundo o deputado, 80% das propriedade rurais são de pequenos agricultores e de acordo com o Ipardes e IBGE, estas famílias têm renda abaixo de R$ 1 mil.
De acordo com coordenador do programa de Biodiesel da Secretaria de Agricultura do Estado, Richardson de Souza, a produção de batata-doce para fins energérticos não impactaria a produção de alimentos porque a área designada é pequena. ''Em caso de produção, vamos orientar para que haja diversificação de culturas e de boas práticas, já que haveria alta intensidade de utilização do solo no plantio e na colheita'', afirma.
Segundo técnicos da BioEx Etanol, a batata-doce pode ser consorciada com outros alimentos por aceitar rotação. Também afirmam que, a cada hectare colhe em média 68 mil toneladas em cada uma das duas safras anuais e uma usina chega a produzir 100 mil litros de álcool por dia e 170 litros de etanol por tonelada de raízes. O resíduo protéico resultante do processo de extração pode ser empregado em rações para animais, bem como para a alimentação humana na forma de farinha.


