Batalha por reajuste será dura
O trabalhador deverá travar dura batalha nos próximos meses para manter o poder aquisitivo do seu salário. Enquanto o governo já definiu que não vai permitir em nenhuma hipótese a volta da indexação salarial, começam a surgir as primeiras propostas com o objetivo de tentar recompor o poder aquisitivo dos salários, que podem sofrer maior corrosão pela continuidade do repique da inflação.
Entre as propostas divulgadas até agora, há antigas e novas fórmulas: gatilhos, abonos e reposição das perdas salariais fora da data-base. Em projeto entregue ao ministro do Trabalho, Francisco Dorneles, em reunião realizada no início do mês em Brasília, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) propõe um aumento geral de 10% para todos os trabalhadores em 1º de maio e um reajuste automático sempre que a inflação atingir o nível de 5%.
O aumento geral de 10%, segundo Mônica Valente, diretora-executiva da Executiva Nacional da CUT, é necessário para repor a perda provocada pela desvalorização cambial no valor real médio dos salários. A CUT também quer reajuste do salário mínimo de R$ 130,00 para R$ 188,00 (ler ao lado). Segundo Mônica, a proposta da CUT conta com o apoio da Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O ministro só voltará a se reunir com os representantes das centrais sindicais em meados de abril.
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, não concorda com reajustes automáticos dos salários. Mas orientou os sindicatos filiados à Força para que reivindiquem reajustes fora da data-base sempre que a variação acumulada pela inflação desde o mês do último aumento obtido atingir 10%. A primeira categoria a testar a sugestão da Força deverá ser a dos metalúrgicos de São Paulo. Eles tiveram reajuste em novembro e a estimativa é que a variação acumulada desde aquele mês atinja 10% em maio.
Para evitar a volta da indexação salarial, o vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Almir Pazzianotto, propõe a concessão de abonos aos assalariados. O ministro acredita que a economia tende a estabilizar-se.
Os abonos permitiriam uma recuperação do poder de compra do assalariado no mês da concessão. Posteriormente, com o recuo da inflação, os salários recuperariam o poder aquisitivo. Os abonos não seriam incorporados aos salários, mas, em contrapartida, não haveria incidência de encargos trabalhistas nem de Imposto de Renda.





