O aumento da população mundial, a alta demanda energética e a representatividade do agronegócio no PIB brasileiro - 23,7% do total - estão levando a indústria química alemã Basf a apostar ainda mais no País nos próximos anos. A empresa - que atua na criação de produtos químicos, defensivos agrícolas (herbicidas, fungicidas e inseticidas), culturas geneticamente modificadas e aparelhos de alta tecnologia para a agricultura - divulgou nesta semana, em entrevista coletiva, que pretende investir entre 100 e 150 milhões de euros anualmente em todo o mundo.
Mesmo com a queda de 2% nas vendas em 2009 nas regiões que abrangem América do Sul, Oriente Médio e África, o vice-presidente de Proteção de Cultivos para a América Latina, Walter Dissinger, disse que as três localidades têm mostrado uma boa performance nos últimos cinco anos, com crescimento de 585 milhões de euros. ''Estes números foram alavancados principalmente pelo Brasil. O País tem o maior potencial de área agrícola mundial e até 2020 a agricultura deve crescer cerca de 26%. Por isso, o agricultor deve ter alta produtividade com preços bons, o que só é viável com tecnologia'', comentou Dissinger.
Outro assunto no qual os alemães estão injetando altos valores é a biotecnologia. O destaque é a criação da primeira soja brasileira geneticamente modificada tolerante a herbicidas, que está sendo criada em parceria com a Embrapa Soja e será lançada no Brasil na safra 2011/2012. Para Peter Eckes, presidente da Basf Plant Science, as culturas geneticamente modificadas já são uma realidade para o consumidor. ''Novos produtos estão sendo aprovados anualmente. O consumidor brasileiro é bem pragmático, por isso se explicarmos a eles de forma mais científica do que emocional, todos vão entender a importância dos transgênicos'', explicou Eckes.
Segundo estimativas da própria Basf, com a tecnologia dos geneticamente modificados, o Brasil pode se tornar o maior produtor de soja do planeta, ultrapassando os Estados Unidos. ''Em 20 anos, não tenho dúvidas que é possível dobrar a produção de alimentos em todo o mundo'', completou Walter.

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