Brasília - O governo conseguiu adiar, mais uma vez, a votação da Medida Provisória 232, que corrigiu em 10% a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física e aumentou a tributação para setores da área de serviços. Com a obstrução da votação, os governistas conseguiram derrubar a sessão do plenário da Câmara, e o presidente da Casa, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), convocou nova sessão para hoje, às 14 horas, para votar a matéria. A estratégia do governo, entretanto, é continuar impedindo a votação da MP, até que fique pronto o projeto de lei tratando da questão, em substituição da MP.
O líder do PSDB na Câmara, deputado Alberto Goldman (SP), elogiou ontem, em entrevista à rádio Eldorado, a atuação do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), na direção da Casa e durante o processo que provocou o recuo do governo na aprovação integral da Medida Provisória 232. Apesar de ter se envolvido recentemente em uma discussão com o próprio Severino no plenário da Câmara, Goldman minimizou o fato e classificou o presidente como ''grande comandante'' de um processo que, na sua avaliação, está trazendo de volta a autonomia do Legislativo. ''Ele é o grande responsável por ter forçado a votação da (MP) 232 e derrotá-la. É um grande comandante e todo comandante tem disso. Ao lado das suas impropriedades, das atitudes que todos nós podemos criticar, em função de uma conduta tradicional de um deputado lá do interior do Estado, que não leva muito em conta a realidade da opinião pública, ele está conseguindo fazer uma coisa que há muito tempo não tinha: esse Poder, de repente, começou a ter autonomia e independência'', enfatizou Goldman.
Segundo o deputado, o governo e o PT passam por um período crítico no Congresso e, por isso, não devem ter sucesso em futuras votações no Legislativo. ''Da forma como está, vai perder todas no Congresso'', frisou.
Em referência à tentativa frustrada da base governista de aprovar anteontem a Medida Provisória 232 de maneira integral, ele disse que, se há necessidade de mais recursos para o governo, é um sinal que há necessidade de um controle maior de gastos. ''Esse governo está com absoluto descontrole dos gastos de custeio, descontrole dos gastos de pessoal, contratando gente para todo o lado e gastando dinheiro sem nenhuma utilidade'', criticou o parlamentar. ''Não achamos que haja razões para o aumento de impostos agora. Não há nenhum fato novo no País. Controlar os gastos é muito melhor do que aumentar imposto'', opinou.

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