Base do governo quer votar reforma até sexta-feira
Oposição, no entanto, afirma que vai usar todos os recursos para atrasar votação
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terça-feira, 09 de julho de 2019
Oposição, no entanto, afirma que vai usar todos os recursos para atrasar votação
Camila Turtelli, Amanda Pupo, Mariana Haubert Julia Lindner e Teo Cury - Agência Estado 

Brasília- Líderes da Câmara acreditam que será possível votar a Previdência em dois turnos no plenário da Casa até esta sexta-feira. Para isso, eles estão trabalhando para minimizar dificuldades no trâmite da reforma."Vamos tentar terminar na sexta-feira. A ideia é que partidos favoráveis não apresentem destaques", afirmou o líder do Solidariedade, Augusto Coutinho (PE), ao deixar reunião com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
O líder do Solidariedade disse que alguns deputados do PSL – partido do presidente Jair Bolsonaro - ainda insistem em apresentar destaque para abrandar regras para policiais federais no Plenário. Na avaliação dele, se fizer isso, poderá "abrir a porteira" para demais legendas fazerem o mesmo e pedirem mudanças para outras categorias as quais eles apoiam. O líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), disse que a sigla não apresentará o destaque.
"O PSL não tem destaque, não teve na Comissão (especial) e não terá em Plenário", disse Waldir, afirmando ainda que o partido já fez "sacrifícios". "Inclusive sou delegado de policia e votei pela defesa do País", disse, ao ser perguntado sobre a situação dos policiais, e se seria possível haver uma "solução intermediária" em que não haja reapresentação de destaque na plenário sobre o tema.
"Com certeza, existe a possibilidade de diálogo, penso que não é difícil, é um pequeno detalhe, pequena diferença, sem criar privilégios... pensar no País, neste momento todo mundo tem que trazer sacrifícios", respondeu. "O fiador da reforma é o Rodrigo Maia, o que ele pedir, o PSL faz."
Ao ser questionado sobre o que seria possível fazer sem que um destaque seja apresentado, o líder do PSL na Câmara citou as emendas aglutinativas (que visa a fundir textos de outras emendas) e as emendas supressivas, mas destacou que o partido não pensa em nenhuma mudança.
"O PSL não pensa em nenhuma mudança, o PSL é o governo, é o partido fiel, é onde inclusive um delegado votou sem manter qualquer diferença. o PSL é a base do governo, vota com Rodrigo Maia e com os partidos de centro", disse.
Questionado ainda sobre uma eventual emenda supressiva que tiraria os policiais da reforma para que a categoria entrasse em outro projeto, o líder do PSL afirmou que não poderia falar "naquilo que não foi construído". "Não posso falar naquilo que não foi construído, que está sendo mera hipótese ainda", afirmou
Também perguntado se pode haver "traição" dentro do partido na votação da reforma, o deputado respondeu que o "PSL não é problema". "O PSL tem sido a solução até hoje, falam tanto do PSL, PSL só tem dado exemplo", disse o líder, que deu uma resposta similar ao comentar a fala da líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), que mais cedo afirmou que a sigla não pode "emagrecer" a reforma. "O PSL é a solução", disse Waldir.
Perguntado ainda sobre a contagem de votos no plenário, o deputado disse que a prática é ser "Mãe Dinah e adivinho". "Contagem de voto é ser mãe Dinah e adivinho, aí tem uma presunção da quantidade de votos que tem, é só ver o porcentual que deu na comissão especial, e o que a gente deve ter no plenário", disse.
OPOSIÇÃO
Integrantes dos partidos da oposição se reuniram na Câmara dos Deputados nesta segunda-feira para discutir as estratégias que serão usadas na votação da reforma da Previdência no plenário da Casa. De acordo com o deputado José Guimarães (PT-CE), a ideia é usar o chamado kit obstrução, que consiste em uma série de medidas previstas no regimento, mas que podem atrasar os trabalhos. "Vamos discutir qual será a estratégia, vamos usar tudo o que pudermos para obstruir."
O petista disse ainda que a oposição manterá os nove destaques que foram apresentados ao texto na comissão especial. Eles terão que ser analisados um a um após a votação do relatório aprovado pelo colegiado na semana passada.
Na avaliação de Guimarães, é possível que a conclusão da deliberação sobre a proposta ocorra somente na semana que vem. Os deputados, no entanto, iniciarão o recesso parlamentar em 18 de julho.
Ministros voltam à Câmara para garantir aprovação
O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, vai reassumir temporariamente o mandato de deputado federal a partir desta terça-feira (9) porque "faz questão" de dar o seu voto a favor da reforma da Previdência no plenário da Câmara. Onyx é considerado o principal articulador do governo pela reforma junto ao Congresso e também deve acompanhar de perto o encaminhamento da votação.
Outros dois ministros, Tereza Cristina (Agricultura) e Marcelo Álvaro Antônio (Turismo), estarão na Câmara como deputados a partir desta terça-feira. Os afastamentos devem ser publicados no Diário Oficial da União (DOU).
O suplente de Onyx é o deputado Marcelo Brum (PSL-RS). Além de ser do partido do presidente Jair Bolsonaro, Brum deixa claro nas redes sociais que é a favor da proposta. Na última semana, ele comemorou a aprovação do texto na Comissão Especial da Casa dizendo ser uma "vitória para o Brasil". Apesar disso, aliados dizem que Onyx "faz questão" de dar o seu voto.
No caso de Tereza Cristina, a suplente é a deputada Bia Cavassa (PSDB-MS). No Placar da Previdência, feito pelo jornal O Estado de S. Paulo, a parlamentar não foi encontrada para informar sua posição sobre a reforma. Ela também não fez publicações sobre o tema em suas redes sociais.
O substituto do ministro Marcel Álvaro é o deputado Enéias Reis (PSL-MG), seu correligionário, que também aparece entre os que não foram encontrados para falar sobre sua intenção de voto.
Embora tenha sido eleito deputado federal na última eleição, o ministro Osmar Terra (Cidadania) não deve deixar o mandato nos próximos dias. A avaliação é de que o seu suplente, Darcísio Perondi (MDB-RS), é "voto fechado" a favor da reforma. Perondi é vice-líder do governo Bolsonaro e defende a proposta desde o governo do ex-presidente Michel Temer.
Mais cedo, a líder do governo no Congresso, a deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), disse que acredita que a reforma da Previdência será aprovada em dois turnos no plenário da Câmara até esta sexta-feira. A parlamentar disse acreditar também que o placar será um pouco mais de 340 votos a favor da proposta.


