Carmem Murara
Com ares de quem já superou as acusações de tentar manipular parte do processo de privatização do Sistema Telebrás, o ex-ministro das Comunicações e vice-presidente nacional do PSDB, Luis Carlos Mendonça de Barros, trabalha nos bastidores da equipe econômica do governo federal. Dentro do partido, ele elabora uma espécie de programa econômico que será apresentado ao presidente Fernando Henrique Cardoso com sugestões para médio e longo prazos. Mendonça de Barros apresentou alguns itens de seu projeto, que ele intitula de ‘‘agenda econômica’’, a um grupo de empresários que acompanhou sua palestra, organizada pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, em Curitiba, ontem à noite.
Mendonça de Barros afirmou que concorda com a condução da política econômica do governo federal, mas propõe que haja mais agressividade em alguns pontos. Ele apóia a volta da CPMF e a queda de juros promovida pelo presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, mas avalia que isso apenas não basta. ‘‘Temos que discutir outras questões que se referem à microeconomia como, por exemplo, as exportações’’, defende o ex-ministro.
Braço direito do presidente Fernando Henrique Cardoso até o episódio da escuta telefônica, Mendonça de Barros ainda se adapta à nova função política dentro do PSDB. Ele admite que ter se alojado na executiva tucana foi uma alternativa ‘‘inteligente’’ para se manter próximo das decisões do governo federal. ‘‘Para mim, que não tenho mais de morar em Brasília, trabalhar 14 horas por dia e ter a vida vasculhada por jornalistas foi muito inteligente’’, afirmou o ex-ministro, ao fazer menção ao episódio do grampo telefônico.
Na escuta telefônica, Mendonça de Barros tentava impedir que o consórcio Telemar saísse vitorioso no leilão de privatização da Telebrás. ‘‘Como ministro, eu tinha de trabalhar para conseguir o melhor preço de venda. Estimulamos os dois grupos. O máximo que podem me criticar é que falo palavrão’’, disse.
Mendonça de Barros assegura que não faz planos nem sonha com o retorno à equipe de trabalho de Fernando Henrique Cardoso. Ele afirmou que está bem no PSDB, onde pode desenvolver um projeto econômico para o governo. O ex-ministro coloca como questões prioritárias a serem desenvolvidas pelo governo federal o ajuste fiscal e a implementação das mudanças na previdência.

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