Barros prevê falta de crédito para lavoura
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quinta-feira, 11 de maio de 2000
Kelly Lima Agência Estado 
O ex-secretário de Política Econômica do governo Fernando Henrique Cardoso e também ex-diretor geral da Camex, José Roberto Mendonça de Barros, classificou de insignificante o aumento de R$ 1 bilhão que o governo anunciou que vai aumentar no plano safra deste ano.
O ex-secretário quer maior facilidade para obtenção de
crédito por parte do produtor rural, como sendo a única alternativa para que a agricultura brasileira voltasse apresentar índice de crescimento em volume de produção e renda. Existe uma enorme distância entre o dinheiro que o governo libera e o que chega efetivamente nas mãos do produtor. Essa distância só pode ser diminuída com o governo assumindo mais riscos, ou os bancos reaprendendo a emprestar dinheiro depois de anos vivendo apenas com os rendimentos da inflação, ou ainda com os produtores ampliando o seguro agrícola, comentou.
Mendonça de Barros defendeu ainda o marketing dos produtos agrícolas brasileiros no mercado internacional. Na esteira do que já havia dito o ministro Pratini de Moraes essa semana, o ex-secretário afirmou que a campanha para vender os produtos nacionais fora do Brasil é amadora. Sem esses dois elos, crédito e marketing, o agricultor não vai sair de onde está, disse. Ele ainda salientou o poder de competitividade que o produto nacional possui. Um dos exemplos citados por Mendonça de Barros foi o custo de produção do açúcar que entre 94 e 95 ficava em torno de US$ 19,4 e hoje já caiu para US$ 7,6. Ele ainda citou a competitividade da carne bovina que tem um custo de produção no Brasil este ano de mil dólares por tonelada enquanto nos Estados Unidos este custo chega a US$ 2,6 mil e na Austrália a US$ 1,5 mil. Poucos países no mundo têm condições como essa e o Brasil começa a ser reconhecido por essas vantagens.


