Arquivo FolhaExpectativaO secretário José Roberto Mendonça de Barros: privatização é apenas o ‘‘primeiro passo’’As oportunidades de investimento geradas pelo processo de privatização de estatais no Brasil estão dando origem a uma ‘‘terceira onda’’ de entrada de capital estrangeiro no País. A avaliação é do secretário de política econômica do Ministério da Fazenda, José Roberto Mendonça de Barros. Ele participou ontem de uma conferência em Londres para divulgar empresas brasileiras junto a investidores estrangeiros promovida pela Abrasca (Associação Brasileira de Companhias Abertas).
A primeira onda de entrada de investimento externo ocorreu no final dos anos 50, e a segunda, durante o ‘‘milagre’’ econômico do início dos anos 70. A exposição do secretário foi bem recebida pela platéia, com a ressalva de que há dificuldades para fazer a reforma fiscal. ‘‘Há fraquezas na economia brasileira difíceis de ser ajustadas em um ano eleitoral’’, disse Seth Oliphant, da empresa de consultoria Economática.
Barros baseia sua avaliação na expectativa de que a privatização seja apenas um ‘‘primeiro passo’’ para o aumento dos investimentos no País. No caso das concessões de telefonia celular, diz ele, a renda do leilão de privatização representa apenas 40% do investimento esperado nos próximos três anos no setor.
Para ele, a entrada de investimentos estrangeiros deve continuar com a diversificação das privatizações para setores como portos, estradas e água e esgoto. Além disso, pela primeira vez o capital estrangeiro está podendo atuar no setor de serviços. Barros disse que uma prova do potencial do mercado brasileiro é o fato de que ‘‘o maior volume de investimentos do mundo no setor automobilístico estar indo para o Brasil’’.
O secretário disse que investimentos de longo prazo afastam o risco de o País sofrer uma crise cambial semelhante à vivida pelos países asiáticos. ‘‘Alguém que decide colocar uma fábrica em um país está olhando para coisas muito mais a longo prazo. Eu não conheço nenhum caso de cancelamento de investimentos (no Brasil) por causa do problema da Ásia.’’ Ele afirmou que o governo está ‘‘trabalhando duro’’ na diminuição do déficits fiscal e da balança comercial e que a estabilidade política do Brasil é outro fator que estimula a entrada do capital estrangeiro no País.
A presidente da Comgás, Ieda Correia Gomes, disse que as ações da empresa devem começar a ser vendidas entre março e abril do ano que vem. Serão colocadas à venda 80% das ações da estatal paulista de distribuição de gás. Ieda Gomes foi uma das expositoras na conferência da Abrasca. Também participaram do evento representantes da Petrobrás, Acesita, Sadia, Sabesp e Bahia Sul Celulose.

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