Barril para capitalização da Petrobras fica a US$ 8,50
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quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Kelly Lima e Irany Tereza<BR>Agência Estado 
Rio de Janeiro - O governo bateu o martelo e, salvo qualquer argumentação extraordinária nos próximos dias, o barril da cessão onerosa para a Petrobras ficará em US$ 8,50. O valor está exatamente no meio, entre o mínimo e o máximo sugerido nos laudos das consultorias contratadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Petrobras para avaliar a área de Franco, que será cedida pela União à estatal dentro de seu processo de capitalização.
Segundo apurou o Grupo Estado, o valor do barril entre US$ 5 e US$ 6 apresentado pela consultoria DeGolyer & Mc Naughton, contratada pela Petrobras, não se sustentou na apresentação técnica feita ontem em Brasília em reunião interministerial. Segundo uma fonte, o laudo aparentou um conservadorismo na análise de dados nunca antes considerado em outros projetos da estatal.
Por outro lado, o laudo da consultoria Gaffney, Cline & Associates, contratado pela ANP, teria superestimado o volume das reservas contidas na área, num total de 6 bilhões de barris.
Reavaliando os parâmetros utilizados nos dois laudos, a União reduziu o volume de reservas estimado da área para 4,5 bilhões de barris e ajustou o valor do barril para US$ 8,50. A Petrobras teria resistido à decisão, mas acabou cedendo diante da ameaça de novo adiamento do processo de capitalização, caso houvesse necessidade de contratar uma terceira consultoria para balizar as análises.
Técnicos da ANP também não cederam completamente ao valor de US$ 8,50. Há uma tendência na reguladora a apresentar argumentações nos próximos dias que forcem o governo a aproximar esse valor dos US$ 10. O diretor-geral da ANP, Haroldo Lima, voltou a afirmar ontem que gostaria de um valor superior a US$ 8.
As negociações agora envolvem de onde sairão os 500 milhões de barris necessários para completar os 5 bilhões em reservas prometidos pelo governo à estatal. ''Poderemos recorrer a outras áreas, além de Franco, mas estamos ainda avaliando volumes de cada uma. Pode ser Guará, Tupi Nordeste, Iara, Libra...'', disse o diretor da ANP.
Ainda segundo fontes, com o consenso ficou mantido o prazo de 30 de setembro para o processo de capitalização da estatal.


