As cotações de petróleo caíram ontem no mercado de futuros de Nova York, principalmente por causa do anúncio de recuperação nos estoques semanais americanos de combustível para a calefação doméstica. O barril de referência (light sweet crude), para entrega mais próxima em outubro, caiu 0,46 dólares a 33,82 dólares. Tinha caído 86 centavos a 34,28 dólares na terça-feira.
‘‘O mercado permanece volátil e sem rumo estabelecido’’, disse George Beranek, analista da Petroleum Finance em Washington. A baixa das cotações, há dois dias, se explica principalmente pelas realizações de lucros dos especuladores que se beneficiaram da alta para 35,14 dólares na segunda-feira.
O mercado também recebeu com alívio o anuncio terça-feira de uma alta do estoque semanal de combustível doméstico, mas seu nível segue inferior em 36% ao do mesmo período do ano passado. O mercado prestou pouca atenção no anúncio de que a Opep tem uma capacidade adicional de dois milhões de barris por dia, porque já sabe que a alta de 800 mil barris decidida domingo passado não bastará para fazer o preço do petróleo cair.
Barril de pólvoraA crise do combustível se agravou ontem na Europa, principalmente no Reino Unido, onde manifestantes conseguiram paralisar o centro de Londres e levaram o governo a decretar estado de ‘‘alerta vermelho’’ no sistema de saúde. À noite, o Exército britânico foi colocado de prontidão. A onda de manifestações ganhou força em vários países europeus. Caminhoneiros, motoristas e fazendeiros da Noruega e da Suíça decidiram aderir ao protesto, que se estende pela Bélgica, Alemanha, França, Holanda, Irlanda, Itália e Polônia.
As ruas de Bruxelas, capital da Bélgica, ficaram vazias, como num feriado. A entrada para o porto de Antuérpia, o segundo maior da Europa, foi fechada por motoristas. ‘‘Se o bloqueio durar mais alguns dias, os prejuízos podem ser catastróficos’’, disse Robert Restiau, diretor da Federação dos Portos. Além da Bélgica, o país mais prejudicado até agora é o Reino Unido, onde os protestos já duram oito dias. A falta de combustíveis fez várias escolas do interior de Londres suspenderem as aulas e alguns supermercados começaram a racionar produtos porque só têm estoques de alimentos até o fim-de-semana.

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