Barreiras reduzem exportação de alimentos
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quarta-feira, 18 de setembro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A volatilidade do câmbio e o aumento das barreiras externas estão reduzindo as exportações da indústria alimentícia neste ano. O setor, que vem apresentando desempenhos na produção bem superiores ao da indústria em geral, exportou US$ 4,9 bilhões em alimentos processados de janeiro a julho deste ano, volume 6% inferior aos US$ 5,2 bilhões do ano passado.
Como a produção tem crescido em torno de 3%, o mercado interno está ''dinâmico'' e absorvendo a oferta, segundo explicou o diretor econômico da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), Denis Ribeiro.
A expectativa de Ribeiro é que as vendas externas do segmento atinjam US$ 9,5 bilhões neste ano, representando entre 15% e 17% do total produzido. No ano passado, considerado ''excepcional'', as exportações dos alimentos processados totalizaram US$ 10 bilhões, ou 21% da produção da indústria do setor. Tradicionalmente o volume exportado corresponde a 15% do total produzido pela indústria alimentícia.
O diretor da Abia explicou que, em 2001, os exportadores de alimentos foram beneficiados por um câmbio vantajoso (média de R$ 2,65 no ano) e um mercado internacional receptivo aos produtos processados brasileiros, especialmente açúcar e carnes.
Neste ano, segundo ele, o dólar em patamar acima de R$ 3,00 e sob forte volatilidade está levando os importadores internacionais a exigirem uma ''contrapartida'' dos fornecedores brasileiros.
Nessa situação, os compradores externos acreditam que as empresas do País estão ganhando excessivamente no negócio e solicitam um desconto como contrapartida, desestimulando os embarques. Ribeiro explicou que, além disso, o protecionismo aumentou na Europa e nos Estados Unidos.
Segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a indústria alimentícia continuou apresentando em julho resultados melhores do que os registrados pela média do setor.
Enquanto a produção industrial geral cresceu 3,3% em julho, ante igual mês do ano passado, a dos alimentos expandiu 5,1% no mesmo período, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).


