Barreiras comerciais fragilizam Mercosul
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quarta-feira, 01 de junho de 2011
Nelson Bortolin <br> Reportagem Local 
Cargas de doces da Dori, em Rolândia, que seriam exportadas estão paradas na empresa
Há dois meses, a fábrica de doces Dori, que tem sede em Rolândia e Marília, não carrega sequer um caminhão para a Argentina, país onde tem vários clientes. Já a indústria de molas Aesa, de Cambé, acaba de fechar dois contratos no valor de US$ 100 mil com um cliente argentino, mas a venda não pode ser concluída porque o comprador não conseguiu obter licença de importação.
Os dois exemplos regionais mostram que o Mercosul, criado há 20 anos, não vai bem das pernas. ''Vendemos para a Argentina há 20 anos. Nunca tivemos problemas até então. As restrições começaram há mais ou menos um ano. E estão ficando cada vez piores'', afirma Carlos Assis, gerente de Exportação da Dori. Ele não informa quanto os negócios com o país vizinho representam no faturamento da fábrica, mas sentencia: ''é um mercado muito importante para nós''.
Apesar das rodadas de negociações que estão sendo realizadas entre os dois países, Assis se diz pessimista quanto a uma solução rápida para o problema. ''O governo brasileiro está preocupado em resolver a exportação de produtos como carros e máquinas agrícolas. Doce é café pequeno nesta disputa'', lamenta.
Diretor comercial da Aesa, André Bearzi conta que seu cliente argentino tenta efetivar a compra há dois meses. ''Ele pede licença para importação, mas a licença não sai'', afirma. São dois pedidos de compra que totalizam US$ 100 mil dólares. Exportando também para outros países, Bearzi diz que o Mercosul é uma ''frustração'' no que tange às relações com a Argentina. ''Os negócios com o Paraguai e o Uruguai estão sendo feitos normalmente'', ressalta.
As disputas comerciais com o país vizinho se agravaram no mês passado, quando o Brasil, pela primeira vez, optou pelo caminho da retaliação e suspendeu as licenças automáticas para importação de veículos. Os automóveis ficaram parados nas fronteiras até que ambos os lados decidiram negociar. A negociação se arrasta até hoje sem nenhum acordo substancial.
''O Mercosul realmente não é o que foi planejado para ser. Ainda não é propriamente uma área de integração'', admite o secretário estadual da Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul, Ricardo Barros. Segundo ele, que tem conversado com empresários argentinos, há ainda muitas barreiras a serem transpostas.


