Genebra - Depois de levar à Organização Mundial do Comércio (OMC) uma queixa contra os subsídios europeus ao açúcar, o Brasil se prepara para mais uma disputa contra Bruxelas. O Itamaraty revelou, ontem, que estuda pedir a criação de um comitê de arbitragem (painel) para julgar barreiras impostas pelos europeus ao frango nacional. Os brasileiros alegam que as medidas protecionistas adotadas por Bruxelas em outubro de 2002 violam as regras internacionais do comércio.
Em fevereiro, representantes do Brasil e da União Européia se reuniram para tentar solucionar suas diferenças. O Itamaraty, porém, não ficou satisfeito com as explicações dadas pelos europeus e agora começa a consultar os advogados dos exportadores de frango para preparar mais uma disputa comercial na OMC.
Para a UE, porém, a medida da qual oBrasil se queixa é apenas uma resposta a modificações supostamente ''desleais'' feitas pelos exportadores brasileiros, que estão se aproveitando de uma brecha na lei da UE para vender mais para o mercado europeu. De acordo com a norma da UE, a tarifa para carnes congeladas é de cerca de 70%. Já a tarifa para carnes salgadas, isto é, cujo processo de conserva é o sal e não o congelamento, é de apenas 15,4%.
Os exportadores de frango do Brasil, de acordo com os europeus, teriam adotado a estratégia de colocar o mínimo exigido de 1,2% de sal na carne de frango. Assim, pagariam apenas a tarifa mais baixa para entrar no mercado europeu e seriam mais competitivos.

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