Oswaldo PetrinBarreiras alfandegárias
-Não será desta vez que as barreiras comerciais e alfandegárias impostas pela União Européia (UE) vão ceder. Mas, certamente, muita coisa começa a mudar a partir da nova rodada de negociações a ser iniciada em setembro, conforme decisão, esta semana, da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reuniu 132 países em Genebra. A UE não transige quando negocia com países fornecedores de baixo poder de barganha, só que desta vez a presença dos Estados Unidos pesa do lado dos países agroindustriais que pressionam para uma ‘‘flexibilização’’ do mercado europeu. A forma como as coisas se encaminho autoriza vislumbrar ampliação do mercado para carnes, grãos e derivados.
-Há duas vertentes que vão exercer influência sobre o mercado dos produtos agrícolas brasileiros. Em primeiro lugar fica mais fácil ocupar espaços naquele mercado já que o problema para os produtos brasileiros (de exportação) não é o grau de competitividade, mas o calibre de restrições impostas artificialmente. Assim, quando a UE está bem abastecida de um determinado produto, a melhor maneira de se restringir sua entradas na UE é levantar suspeitas de ordem sanitária. Este tipo de cinismo é prática comum não só na UE mas também nos EUA. Em segundo lugar, porque as barreiras comerciais têm embutido benefícios aos produtores internos, através de subsídios indiretos de toda ordem, o que cria distorções ao livre mercado.
-O importante para o Brasil é que as discussões não terminaram com o encerramento do evento da OMC, realizado esta semana. Os 132 países da OMC assumiram quarta-feira o compromisso de iniciar, daqui a quatro meses, preparativos para uma nova rodada de negociações sobre agricultura. A decisão foi comemorada pelo Brasil e os outros 14 exportadores agrícolas do Grupo de Cairns e também pelos Estados Unidos, seu principal aliado nessa queda-de-braço com os europeus.
-Expressa num discurso firme do presidente Fernando Henrique Cardoso, a redução das barreiras às exportações agrícolas tem sido a principal reivindicação brasileira desde a criação do sistema multilateral de comércio, há 50 anos. Pena que no evento desta semana, enquanto FHC firmava o pé na defesa dos produtos brasileiros, seus assessores negociavam o aumento das importações de trigo dos Estados Unidos. Esta contradição repercutiu negativamente no Brasil.
-Apesar das restrições e embargos, observadores do mercado apontam que nos últimos anos os avanços na abertura de mercados para produtos industrializados foram maiores. E os mesmos países ricos, que pregam a liberalização econômica nesta área e em outras novas (como serviços), gastam uma média de US$ 160 bilhões ao ano para proteger seus agricultores. O presidente do Brasil condenou esse procedimento. E condicionou a participação do País na nova negociação, ao cumprimento da promessa da UE, em 1994, de eliminar medidas protecionistas, coisa que não ocorreu. Mas a pressão aumenta. Exportação
A agroindústria sequer é citada num estudo que a Câmara de Comércio Exterior deu certa importância ontem. O estudo é de técnicos do Citybank e avalia a eficiência do setor produtivo nas exportações. O setor passa por mudanças.
Perdedores
O estudo lista setores ‘‘ganhadores’’ e ‘‘perdedores’’ da economia brasileira. Por ganhadores entende-se quem mais exporta. Os perdedores seriam os ‘‘sem competitividade’’.
Ganhadores
Os ‘‘ganhadores’’ conseguiram ampliar suas exportações nos últimos meses, sem alterar sua capacidade instalada. Os principais foram os setores de produtos químicos, de máquinas e aparelhos mecânicos e de produtos metalúrgicos.
Têxtil/calçado
Entre os ‘‘perdedores’’, aqueles que diminuíram suas exportações ou tiveram crescimento modesto, estão as indústrias têxtil, de calçados e de eletroeletrônicos.
Carros
Os automóveis (‘‘ganhadores’’) vão bem por causa do regime automotivo. Os projetos maturaram ao mesmo tempo. O estudo não é um bom parâmetro para aferir o desempenho da economia. Abrangência e período analisados são estreitos.

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