Antônio José do Carmo
Agência Estado
Está faltando boi gordo no Estado de São Paulo. A arroba do boi em Araçatuba, a 550 quilômetros da Capital, foi negociada ontem a R$ 42,00 mas em Campo Grande (MS) o preço era de R$ 37,00. A diferença, segundo corretores e industriais, vem sendo provocada pela barreira sanitária de combate à febre aftosa que impede o livre trânsito de gado do maior estado produtor do país, que é o Mato Grosso do Sul, com 23 milhões de cabeças, para São Paulo, maior centro consumidor e onde estão as indústrias tecnicamente adequadas ao abate para exportação.
O bloqueio começou a funcionar no início do ano e obriga que toda carne proveniente do Mato Grosso do Sul, onde há um ano foi registrado foco de aftosa em duas propriedades de Naviraí, região de Dourados, seja transportada sem ossos. Mas os frigoríficos daquele estado não estão preparados para realizar esse serviço e os investimentos, com custos muito elevados, inibiram os empresários.
Ontem nos meios industriais havia rumores de que nesta quarta-feira, amanhã, o Ministério da Agricultura deverá liberar o trânsito de animais entre Mato Grosso do Sul e São Paulo, obedecendo para isso novos critérios de fiscalização. Entre eles não seria mais exigido exames de sorologia, em animais de procedência idônea comprovadamente vacinados em todas as campanhas. O bloqueio ficaria restrito à região de Naviraí.
Em São Paulo, técnicos do Fundo de Desenvolvimento da Pecuária de Corte- Fundepec, uma organização não-governamental (ONG) que ajuda o governo a combater a aftosa, consideraram absurdo qualquer relaxamento no processo de fiscalização para baixar o preço da carne em São Paulo. Em Brasília ninguém na Secretaria de Defesa Agropecuária prestou informações sobre a possibilidade de alterar os critérios de transporte e comercialização de animais entre Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Em Andradina, o Frigorífico Friboi-Mouran reduziu de 1.200 para 400 cabeças por dia a quantidade de gado abatido. Segundo diretores de compra, o motivo é a falta de oferta de boi gordo em São Paulo. Os corretores pagaram ontem R$ 41,00 pela arroba, mas as ofertas foram muito reduzidas. A direção da empresa informou que vai esperar definições sobre novas condutas de controle sanitário da aftosa, antes de reduzir o quadro de pessoal. Os industriais alegam que o custo operacional para vender a carne bovina em São Paulo é de R$ 38,00 por arroba.
Mas está ocorrendo outro fenômeno por conta da escassez de carne em São Paulo: caminhões transportando bois do Mato Grosso do Sul para o Rio de Janeiro (que não faz as mesmas exigências que São Paulo por não ser considerado área livre de aftosa) são desviados clandestinamente para frigoríficos paulistas. A compra se destina oficialmente ao Rio, mas a carga acaba em São Paulo.