Empresários paranaenses estão preocupados com a barreira fiscal criada pelo Rio Grande do Sul, através do Projeto Fronteira em que todos os produtos vindos de outros estados são obrigados a pagar uma taxa ao governo gaúcho. O projeto, segundo o empresariado, vem causando sérios prejuízos para a economia paranaense. O impasse fiscal está atingindo a agropecuária e o setor de confecções.
No início desta semana o presidente da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Ágide Meneghetti, que preside grupo de destilarias de álcool e açúcar, e um grupo de empresários do segmento confeccionista, se reuniram com o secretário da Fazenda do Paraná, Heron Arzua, e pediram uma soluação para o impasse. O secretário garantiu que o Governo já está se movimentando na busca de entendimento com o governo gaúcho.
Além de presidentes de shoppings e do Sindicato do Vestuário de Maringá, também participaram da reunião, dois representantes de Cianorte, principal pólo confeccionista do Paraná - Alberto Nabhan, da Associação dos Atacadistas da Moda (Asamoda) e Wilson Peres Pedrão, presidente da Associação das Indústrias do Vestuário. ''O Rio Grande do Sul está fechando sua fronteira, gradativamente, para todos os produtos procedentes de outros estados. A bola da vez é a confecção e os produtos agropecuários'', ressaltou Pedrão.
Para fugir da barreira fiscal imposta pelo governo gaúcho, as empresas fornecedoras têm que se cadastrar junto à secretaria daquele estado e criar um sistema de comunicação via Internet. Assim, toda vez que um empresário gaúcho efetuar transação em outro Estado, a empresa fornecedora que esteja cadastrada no sistema, entra em contato pela Internet, fornecendo todos os dados da compra - como volume de produtos e dados detalhados da nota fiscal. Ao receber a comunicação, a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul emite um comprovante - também via Internet - atestando o recebimento das informações. Cópia desse comprovante é anexado à nota fiscal emitida para o comprador. Assim, quando ele chegar na barreira não terá problemas com os fiscais. Para saber mais sobre o assunto basta acessar o site www.sefaz.rs.gov.br (link contribuintes + Projeto Shopping ou Projeto Fronteira).
O problema, segundo Wilson Pedrão é que os paranaenses não estão conseguindo se cadastrar para o serviço porque, segundo a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, o sistema está aberto apenas para Santa Catarina.
No caso específico das confecções, conforme foi colocado pelos representantes do setor ao secretário Arzua, se o impasse não for resolvido o mais rápido possível entre os dois governos, o Paraná corre o risco de perder os compradores vindos do Rio Grande do Sul semanas após o carnaval, quando começa a ser vendida a moda outono/inverno. Segundo dados da Associação do Vestuário do Paraná (Vestpar) 20% da venda de roupas paranaenses é feito para os gaúchos.

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