O secretário do Trabalho de São Paulo, Walter Barelli, defendeu ontem a proposta da Força Sindical de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. ‘‘Se a redução acontecer, as indústrias serão obrigadas a fixar uma nova jornada e isso vai empregar’’, afirmou Barelli. O secretário esteve ontem em Curitiba para participar de um encontro de secretários do Trabalho da região Sul, São Paulo e Mato Grosso do Sul. A reunião foi organizada para discutir a requalificação profissional.
Ex-ministro do Trabalho no governo Itamar Franco, Barelli classificou de ‘‘boa’’ a iniciativa da Força Sindical, mas fez uma crítica à exclusão do governo federal do processo de elaboração da proposta. ‘‘A idéia foi feita entre sindicatos dos trabalhadores e patronais, deixando um encargo muito grande para o governo. Quem compensará as empresas deste aumento de emprego que haveria seriam os governos federal e estadual’’, afirmou.
A Força Sindical entregou nesta semana a proposta de redução da jornada de trabalho para o Ministério do Trabalho. O governo federal deve se manifestar nas próximas semanas sobre o assunto.
A redução da jornada de trabalho é encarada como uma alternativa para diminuir o índice de desemprego que atinge todo o País. Somente a Grande São Paulo tem 1,2 milhão de desempregados, o que representa uma Curitiba inteira de trabalhadores sem emprego. A taxa de desemprego em São Paulo é de 16,2% da população economicamente ativa, enquanto na região metropolitana de Curitiba o índice varia de 12% a 13%, segundo o Dieese. A região tem cerca de 5 mil desempregados.
Uma pesquisa feita há dois anos pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) mostrou que o desemprego atinge 4,6 milhões de trabalhadores no Estado. A última pesquisa foi feita pelo em 1995 e já não corresponde mais à realidade econômica do Estado. Não há dados atualizados.
Para o secretário de Emprego e Relações do Trabalho, Joni Varisco, o desemprego não é um problema do Brasil mas do mundo todo. ‘‘Esta havendo uma necessidade de reordenação das relações do trabalho. Os cursos profissionalizantes de 2º grau são muito ruins no Brasil e não formam ninguém. Com o Fundo de Amparo ao Trabalhador estamos suprindo esta falha’’, disse Varisco. Ele afirmou ainda que 113 mil pessoas nas cidades e mais 34 mil, nas pequenas propriedades, se formaram em 1996. Para 1997 a meta é formar mais 250 mil pessoas.
De acordo com a coordenadora estadual do Serviço Público de Emprego (Sempre), Elietti de Souza, apenas 40% das pessoas que se candidatam a um emprego conseguem colocação no mercado. ‘‘O perfil do trabalhador não é adequado às necessidades do mercado’’, disse. A formação profissional é o maior desafio a ser enfrentado para resolver o problema do desemprego em todo o País. As metodologias empregadas nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul foram discutidas pelos secretários do Trabalho durante o encontro.

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