Barbosa nega uso de reservas para reagir à crise
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quinta-feira, 21 de janeiro de 2016
Agência Estado 
Davos No seu programa inaugural no Fórum Econômico Mundial, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, topou com duas das dificuldades que provavelmente o acompanharão durante o seu longo e intenso périplo em Davos. A primeira é que o seu discurso de ortodoxia e ajuste fiscal é bem recebido por quem não o conhece, mas convence menos executivos e economistas brasileiros ou que tenham um conhecimento da cena econômica e política do Brasil.
A segunda dificuldade é que o Brasil aparece desta vez no Fórum como um coadjuvante mais medíocre que a Argentina, que, como na parábola do filho pródigo, está entusiasmando o establishment internacional por voltar à trilha da ortodoxia.
Bem a propósito, o primeiro compromisso de Barbosa em Davos foi um almoço promovido pelo Banco Itaú, Hotel Steingenberger Belvédère, durante o qual os palestrantes foram ele e o presidente do Banco Central argentino, Federico Sturzenneger.
Cerca de 50 altos executivos, economistas e financistas compareceram, incluindo Joseph Stiglitz, prêmio Nobel de Economia. Já na entrada, um financista brasileiro tecia comentários entusiasmados sobre Sturzenneger, mas preferia responder com um "sem comentários" ao que esperava de Barbosa. Ele deixou claro que não tinha confiança no trabalho do novo ministro.
Em discurso, Barbosa negou qualquer plano de usar as reservas internacionais para reagir à situação de crise na economia. Ao contrário, disse que o ideal é manter as reservas em patamar elevado. "Em um momento de volatilidade, a melhor política é continuar mantendo um estoque elevado de reservas e, eventualmente, adotar medidas para reduzir volatilidade no câmbio com swap cambial", disse.
Retração
Além de mostrar solidez com as reservas e corrigir eventuais desequilíbrios no câmbio, Barbosa repetiu que a equipe econômica continua comprometida em adotar medidas para equilibrar as condições macroeconômicas. "Vim para mostrar que muito se avançou, mas obviamente vivemos uma fase de retração da atividade econômica. Vamos continuar adotando medidas para estabilizar", afirmou após o primeiro dia de participação no Fórum Econômico Mundial.
"O Brasil está em processo de reequilíbrio da política econômica em um ambiente adverso. Mas muito já foi feito. Um ano atrás o ministro (Joaquim Levy) colocou como prioridades a reforma do seguro-desemprego, do seguro por morte e dos subsídios fiscais e financeiros como o crédito PSI e a energia", disse Barbosa, ao citar que esses problemas foram encaminhados e o governo tomou medidas para corrigir essas distorções. "Então, se avançou na direção correta."
Agora, o esforço está em "completar o ajuste fiscal e avançar para um reforma fiscal". "Esse é maior desafio neste momento e tenho certeza que as lideranças políticas entendem", disse.


