Banestado vai vender reflorestadora
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quinta-feira, 25 de setembro de 1997
Vânia Casado Curitiba 
A Banestado Reflorestadora vai apresentar em de outubro os termos do edital para alienação de suas reservas florestais. Esta é a primeira etapa da privatização da empresa que está atraindo interesse de grupos compradores nacionais e indústrias multinacionais que estão se instalando no Paraná.
A privatização da Banestado Reflorestadora foi discutida em reunião da Câmara Setorial da Madeira, quarta-feira na Secretaria da Indústria e Comércio e o edital será apresentado ao público na próxima reunião da Câmara Setorial, dentro de três semanas. Por enquanto, os técnicos do Banestado estão avaliando o valor patrimonial.
Nesta primeira etapa serão colocadas à venda as áreas de reflorestamento com pinus: 33,7 mil hectares. Essas reservas estão em Ponta Grossa, Castro, Campo Largo, Piraí do Sul, Cerro Azul, Dr. Ulisses e Sengés. A Banestado Reflorestadora tem outra área - com palmito - no litoral, mas não fará parte do edital de alienação.
Madereiros Apesar do interesse da iniciativa privada pelas reservas florestais do Banestado, a discussão do assunto gerou preocupações dos empresários do setor madeireiro presentes à reunião. Eles temem a concentração dos maciços florestais nas mãos de poucos grupos. Para tentar sobreviver nesse cenário os empresários defenderam a necessidade de identificar fontes de recursos para financiar o reflorestamento no Paraná. A Secretaria do Planejamento ficou de estudar as possíveis fontes de recursos, de longo prazo e custo compatível com a atividade. Segundo Telmo Roberto Bradasch, secretário executivo da Câmara, esses financiamentos precisam ter no mínimo 20 anos de prazo.
O estudo vai considerar a possibilidade de concessão de incentivos fiscais para o reflorestamento à exemplo do que já existe em outros Estados e mesmo em outros países do Mercosul, desde que o custo final da linha de crédito seja adequado com a atividade. Segundo Bradasch, o Uruguai já usufrui de uma linha de crédito com concessões fiscais para o reflorestamento e o Brasil deveria encaminhar legislação nesse sentido para se tornar competitivo, explicou. A Seplan ficou de avaliar as fontes de recursos do BNDES e de organismos internacionais como o IFC do Banco Mundial.
O superintendente do BRDE, Francisco Lutero Luerhring, anunciou a disponibilidade de recursos do banco de desenvolvimento para o reflorestamento que vai de R$ 200 mil até R$ 7 milhões. A vantagem da linha de crédito é o enquadramento de mais itens financiáveis. Para ter acesso a esse crédito, todo o setor madeireiro de transformação como as indústrias do mobiliário, de painéis, compensados, etc, pode se habilitar, desde que apresentem um projeto que justifique os financiamentos.


