Arquivo FolhaEmprego garantidoSocorro do Banestado deve assegurar o emprego dos 150 funcionários da Cocamar Citrus S/A O Banestado, através do Fundo de Desenvolvimento Estadual (FDE), vai assumir o controle acionário da Cocamar Citrus S/A, fábrica de suco de laranja instalada desde 1994 em Paranavaí (70 km de Maringá), que hoje tem 57% de participação da Cocamar, 34% do FDE, 4% da Copagra de Nova Londrina e outros 4% do grupo norte-americano Albertson International. Na próxima segunda-feira, às 15 horas, em Curitiba, o Banestado comunica oficialmente a compra, pelo FDE, de mais 36% das ações, no valor de R$ 12 milhões. Com 70% das ações, o FDE se tornará o acionista majoritário. As dívidas de longo prazo da Cocamar Citros somam US$ 20 milhões.
O presidente da Cocamar Citrus, Claudomiro Sirotti, explicou que com a venda das ações, a indústria de suco pagará uma dívida antiga com o FED, herdada ainda do tempo do Badep. ‘‘Não veremos a cor do dinheiro, mas pagaremos uma dívida antiga e assim a Cocamar ficará livre para centrar suas ações na recepção, esmagamento e comercialização de soja e derivados, trabalho que faz há 25 anos. Com R$ 5 milhões da venda das ações, a Cocamar Citrus poderá pagar fornecedores e comprar a produção da próxima safra’’, disse Sirotti.
A discussão sobre o futuro da Cocamar Citrus S/A começou há uma semana. A proposta de compra do controle acionário foi feita pelo próprio presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, no último final de semana, em reunião realizada com Sirotti, diretores da Cocamar e prefeitos da região, na Prefeitura de Paranavaí. ‘‘Todos concordamos que o governo assuma a Cocamar Citrus. Falta discutir alguns detalhes, que serão acertados na segunda-feira’’, afirmou Sirotti.
A Cocamar Citrus tem 150 empregados e envolve o trabalho de dois mil produtores de laranja da região. ‘‘Se a crise financeira da fábrica persistir poderá quebrar financeiramente esses pequenos produtores rurais’’, diz Sirotti. Em 92, o Projeto Laranja iniciou a venda da laranja ‘‘in natura’’, fazendo seleção, lavagem e beneficiamento do produto. Dois anos depois, passou a esmagar o fruto e a comercializar o suco. ‘‘Hoje fazemos o melhor suco de laranja do mundo’’, garante o presidente da Cocamar Citrus.
Nos últimos dois anos, a Cocamar investiu na ampliação do seu parque industrial, comprou R$ 5 milhões em máquina novas, mas só conseguiu pagar R$ 3 milhões. Sirotti explica os motivos que levaram a fábrica à atual crise financeira. Primeiro, diz ele, foram os baixos preços internacionais da laranja em 97, que ficaram entre US$ 800 e US$ 850 a tonelada. ‘‘Os preços ficaram mais baixos do que o custo de produção’’, explicou. Este ano, os preços subiram repentinamente, ficando entre US$ 1,5 mil e US$ 1,55 mil a tonelada. O outro motivo, segundo Sirotti, foram os bancos financiadores, que atrasaram a liberação das parcelas para os produtores. Estes, por sua vez, atrasaram o plantio da safra. ‘‘Eles não tiveram recursos para plantar e nós já havíamos comprado as máquinas’’, afirmou.
Sirotti exemplifica: no ano passado, os produtores entregaram 2,5 milhões de caixas de laranja; a capacidade de esmagamento da Cocamar Citrus era de 5 milhões de caixas. A fábrica ‘‘ficou ociosa’’. Em 95/96, a colheita foi boa, mas a capacidade era de apenas 1,5 milhão.
As exportações para os Estados Unidos e Europa começaram em 1994. Em 96, a Cocamar Citrus exportou 3 mil toneladas de suco de laranja; em 97, 4,5 mil toneladas. ‘‘Se tudo der certo, vamos manter em 98 a média do ano passado’’, afirmou Sirotti.

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