Vânia Casado
De Curitiba
A Banestado Reflorestadora, empresa do conglomerado Banestado, completou seu plano de reestruturação e no balanço que será divulgado nos próximos dias apresenta um patrimônio líquido de R$ 45 milhões. Com isso, a empresa está saneada e pronta para ser repassada para o governo do estado a qualquer momento, disse o superintendente da Reflorestadora, Eugenio Stefanello. O saneamento da Reflorestadora foi uma determinação do presidente do Banestado, Reinhold Stephanes que queria passar uma empresa sem problemas financeiros para o estado.
Depois de saneada, a Banestado Reflorestadora volta a operar no mercado madeireiro, com a reativação de diversas serrarias, laminadoras e empresas que dependem do fornecimento de pinus e de de palmito no estado. A expectativa é que a empresa possa gerar 10 mil empregos entre diretos e indiretos. A empresa possui florestas com 18 mil hectartes de pinus, com uma média de 15 anos, e mais 10 mil ha de palmito, com média de 20 anos. A oferta de matéria prima está avaliada entre 5 a 6 milhões de metros cúbicos de pinus, cujo valor varia de R$ 2,00 a R$ 10,00 o metro cúbico.
A Reflorestadora estava com suas atividades suspensas nos dois últimos anos, por uma série de pendências financeiras e judiciais,‘‘agora solucionadas’’, disse Stefanello. Entre as medidas saneadoras adotadas, Stefanello apontou a compra de CPRs (Certificado de Produto de Reflorestamento) por parte da Reflorestadora, com recursos do Banestado. Foram adquiridas 92% das ações que estavam em propriedade de pessoas físicas e juríficas, que inclusive estavam acionando a empresa judicialmente. Graças a essa operação, foram eliminadas 35 ações judiciais contra a empresa. Segundo Stefanello, as CPRs foram compradas entre R$ 0,20 a R$ 0,35 por papel. Ele não informou o volume de recursos aplicados na compra das CPRs.
Outra medida adotada pelo plano de reestruturação foi a eliminação das pendências junto ao IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente), que impediam a exploração racional da madeira. Ocorre que na época dos incentivos fiscais para incentivo do reflorestamento, a empresa não atingiu toda a área que constava do contrato. Enquanto essa área não era complementada com o reflorestamento, o Ibama não dava licença para exploração econômica. ‘‘Foi preciso complementar as áreas de reflorestamento para obter a licença’’, disse Stefanello.
Com o retorno da atividade, Stefanello aposta na lucratividade da empresa. Segundo ele, a Banestado Reflorestadora já fechou 10 contratos para exploração das fazendas de pinus, localizadas em Ponta Grossa, Castro, Cerro Azul e Campo Largo.
Stefanello destaca que o patrimônio da Reflorestadora em reflorestamento de pinus representa entre 10% a 15% da área de reflorestamento de pinus existente no estado. A empresa está disponibilizando parte de suas reservas para atender pequenas e médias serrarias e laminadoras que dependem da matéria prima para se sustentarem no mercado. Ele salienta que hoje o mercado madeireiro está com a demanda em crescimento e a vinda de grandes grupos madeireiros como a Taffisa, que se instalou em Piên, e a Masisa, em Ponta Grossa, estão alavancando o consumo de pinus no Estado.

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