O início da negociação do Banestado com os funcionários para o saneamento do banco revela que a diretoria vai encontrar dificuldades para obter um acordo. O primeiro encontro ocorreu ontem, em Curitiba, entre o presidente do banco, Manoel Garcia Cid, o Neco Garcia, e a diretoria da Federação dos Bancários do Paraná. Não houve entendimento entre as partes e tudo indica que o equilíbrio está longe de ser alcançado. Neco Garcia propôs o corte das horas extras e dos benefícios salariais para evitar a demissão em massa. A presidenta da Federação dos Bancários, Marisa Stédile, prometeu recorrer à Justiça caso essa medida seja concretizada, ao alegar que o banco não pode ferir acordo firmado no Ministério Público que prevê a incorporação das horas extras aos salários.
Neco Garcia reconhece que o corte nos benefícios salariais dos funcionários é o segundo grande obstáculo a ser enfrentado pelo banco. O primeiro, que ainda não foi superado, é sanear o déficit de caixa, que obriga o Banestado a tomar empréstimos diários, que variam de R$ 500 mil a R$ 600 mil, junto ao mercado interbancário. Segundo ele, o banco paga um total de 160 mil horas extras por mês a 6.000 funcionários, o que corresponde a um desembolso de R$ 4,6 milhões. ‘‘ Eu entendo que o corte dói no bolso dos funcionários, mas essa é a contrapartida que eles devem dar para evitar a demissão em massa’’, justificou.
Atualmente, o Banestado tem 10.430 funcionários, mas esse número muda diariamente porque, todo mês, entre 60 e 70 funcionários pedem aposentadoria e saem por vontade própria. Com essas saídas voluntárias e a implementação do Plano de Demissões Voluntárias (PDV), que prevê o pagamento de benefícios de acordo com os anos trabalhados, Garcia calcula que, até o final do ano, o quadro deverá se estabilizar em 9.000 funcionários. Dentro do pacote de saneamento do Banestado, está incluído o repasse de R$ 100 milhões para ser implementado o PDV.
Para adequar o quadro de funcionários ao sistema, Garcia não descartou o remanejamento de pessoal conforme as exigências do mercado. Também não descartou o fechamento de agências deficitárias em municípios que já estão sendo atendidos por outra rede bancária. Para evitar caos no atendimento ao público com o corte de horas extras, Garcia acenou com um estudo que está sendo feito, que cria dois turnos de trabalho, um entre 8 e 14 horas e outro entre 12 e 18 horas.‘‘A concentração dos turnos de trabalho no horário de almoço evitaria tumulto, justamente no período que o banco enfrenta mais problemas de atendimento’’, explicou.
Além do corte de horas extras, Neco Garcia antecipou que os benefícios salariais embutidos nos salários também poderão ser cortados. Ele citou como exemplo o pagamento de licenças-prêmio (suspenso até 1999) e do adiantamento de férias concedido aos funcionários. Esse adiantamento é devolvido ao banco em seis parcelas, sem juros. ‘‘Isso representa um custo inviável para o banco, que paga juros que alcançam 3,2% no mês para captar recursos no interbancário’’, disse. Segundo Garcia, enquanto os benefícios sociais oneram a folha de pagamento das empresas em torno de 102%, no Banestado a folha é onerada em 140%.

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