O presidente do Banestado, Domingos Murta Ramalho, afirmou ontem que o plano de metas do banco para este ano inclui uma redução mensal de R$ 8 milhões com a folha de pagamentos. O volume representa quase 10% do total com despesas de pessoal, através do corte gradual de funcionários. A estimativa inicial feita pelo banco é de suprimir 2,6 mil vagas até 1998. Os números foram confirmados em uma reunião com gerentes.
Ramalho evita falar em números de demissões, garantindo que a meta pode ser reduzida caso haja um incremento na receita. ‘‘O plano não é colocar 2,6 mil funcionários na rua. O que existe é um ajuste que a empresa precisa fazer para equacionar custo e receita’’, disse. As horas extras começarão a ser cortadas.
A intenção do banco é garantir a operacionalidade, assegurou Ramalho. ‘‘Não podemos desconsiderar que a folha é incompatível com o tamanho do banco, ou melhor, com a realidade do sistema financeiro’’, afirmou. Ele lembrou que a maioria dos bancos tem feito enxugamento. Citou como exemplo o BB, que reduziu seu quadro a 40 mil.
O Banestado tem hoje 11,6 mil empregados. Desse total, pelo menos 800 estão prestes a se aposentar. Outra situação que deve contribuir é o Plano de Demissão Voluntária. O programa foi lançado em dezembro.
O Banestado dá como incentivo a quem se demitir meio salário mínimo a cada ano trabalhado. Outra vantagem é o pagamento das taxas da fundação do banco (Funbep) até a aposentadoria e a manutenção dos planos de assistência médica. O banco também vai oferecer financiamentos para quem quiser montar o próprio negócio.
Sindicalistas O Sindicato dos Bancários se posicionou contra o enxugamento. O ponto que mais desagradou aos sindicalistas foi a decisão de cortar horas extras. ‘‘Tem muito funcionário que foi contratado com duas horas extras fixas. E agora, ele vai acabar trabalhando sem receber’’, protestou o presidente do sindicato Pedro Eugênio Leite. Ele confirmou a intenção do banco de reduzir o número de funcionários. ‘‘Fomos informados pelo presidente do banco que serão demitidos 2.641’’, disse Leite, fazendo questão de destacar o número exato de demissões.
O sindicato marcou uma assembléia extraordinária para hoje à noite. Seu o departamento jurídico estuda a possibilidade de entrar com uma ação na Justiça do Trabalho contra o corte das horas extras.

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