Dorico da SilvaControle mantidoNeco Garcia, presidente do Banestado: ‘‘O governo vai cumprir sua promessa de não privatizar o banco’’O Banco do Estado do Paraná (Banestado) apresentou ontem ao Banco Central uma proposta de saneamento da instituição. A carta-protocolo foi entregue pelo secretário do Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, de manhã, em Brasília. O prazo para o BC responder à proposta é 30 de dezembro.
Segundo o presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, com essa proposta de saneamento está descartada a privatização do banco, já que o governo do Estado deve continuar como acionista majoritário da instituição. ‘‘O governo vai cumprir sua promessa de não privatizar o Banestado, embora haja uma forte pressão do Banco Central para a privatização’’.
Neco Garcia explica que uma auditoria do Banco Central feita no Banestado concluiu que o banco precisaria de RS$ 2,030 bilhões para ser saneado. Mas depois de várias negociações, chegou-se ao valor de de R$ 1,780 bilhão. ‘‘Está tudo equacionado’’, afirma Garcia Cid.
De acordo com o plano de saneamento, parte dos recursos - R$ 915 milhões - virá do próprio governo do Estado como pagamento de dívida junto ao Banestado. Para pagar seu débito, o governo do Paraná entrou ontem com pedido de saneamento fiscal junto ao Banco Central no valor de R$ 2,5 bilhões. Desse recurso, o governo vai destinar R$ 500 milhões para criar uma agência de fomentos do Banestado, que vai financiar projetos de empresas paranaenses.
A proposta de saneamento propõe também que o restante (R$ 866 milhões) entre para o Banestado da seguinte forma: 50% desse valor (R$ 433 milhões) serão obtidos por meio da Medida Provisória 1560, que permite empréstimo do BC para saneamento dos bancos estatais com prazo de 30 anos para pagamento.
Para cobrir a outra metade (R$ 433 milhões), R$ 235 milhões são crédito do Banestado junto ao Banco do Brasil e à Caixa Econômica Federal. Para os R$ 198 milhões restantes, o Banestado tem duas opções: convidar um agente financeiro como sócio; e chamar os sócios minoritários a fazer aporte de capital. Neco Garcia explica que o Banestado reúne 157 mil sócios minoritários. ‘‘Daria uma média de R$ 2 mil para cada. Esse aporte poderia ser parcelado’’.
O presidente do Banestado afirma que é mais simpático à segunda alternativa: o aumento da participação dos sócios minoritários. ‘‘Essa é a solução que defendo e é a mais simpática’’. Para Neco Garcia, a proposta de sanamento vai consolidar o Banestado como entidade financeira controlada pelo governo do Estado.
Segundo Neco Garcia, com a aceitação do Banco Central, o Banestado volta a negociar com os funcionários da instituição. ‘‘Acredito que o BC vai aceitar. O Paraná está pedindo menos recursos que os outros Estados’’.

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