Até o dia 31 de dezembro o Banestado vai fechar a diretoria de crédito rural, conforme o cronograma de reestruturação e privatização do banco. Segundo o presidente da instituição, Manoel Garcia Cid, essa decisão não significa o fim das operações de crédito rural ou a falta de assistência aos agricultores. Elas serão absorvidas pela Agência de Desenvolvimento, que passará a gerir a liberação de recursos para o setor agrícola.
A extinção da diretoria de crédito rural faz parte do plano de privatização do banco que prevê a redução das atuais 21 diretorias para seis diretorias. Segundo Garcia, a carteira de fomento da Agência de Desenvolvimento será capitalizada com R$ 100 milhões, em recursos do governo federal, que poderão alavancar operações na atividade financeira no valor de até R$ 1 bilhão. A carteira de fomento será reforçada com créditos que o Banestado tem a vencer no médio e longo prazos no valor de R$ 600 milhões.
Segundo Garcia, a Agência de Desenvolvimento vai concentrar operações de fomento agrícola através de financiamentos de máquinas agrícolas, investimentos de grande e médio porte, como avícolas e barracões. Já os microcréditos e os financiamentos para pequenos produtores, via Pronaf, serão absorvidos pelas agências do Banco do Brasil, destacou.
Apesar das explicações do presidente do Banestado, a informação preocupou a Fetaep. O assessor econômico, Sergio Gutierrez, acredita que o crédito ao pequeno produtor que faz custeio e investimentos via Pronaf está ameaçado porque a Agência de Desenvolvimento não terá a capilaridade que o Banestado tem no interior através de suas agências.
Para Gutierrez, hoje o crédito agrícola via Pronaf no Paraná é exercido basicamente pelas agências do Banco do Brasil e Banestado.‘‘Em locais muito pequenos onde não tem agência do BB, sempre tem uma agência do Banestado’’, explicou. Para ele preocupa o fato de que os pequenos produtores dessas localidades não são clientes conhecidos no banco, pegam um crédito muito pequeno no máximo até R$ 5.000,00 cada um e certamente não terão trânsito em outra rede bancária.
Segundo a Fetaep, o crédito do Pronaf para custeio e investimentos apoiaram 25 mil pequenos produtores no ano passado com o atendimento de mais de 50 mil contratos. Gutierrez acredita que o Banestado teve uma participação de 20% a 25% nessas operações. Para a Fetaep o anúncio do fechamento das agências é outro motivo de preocupação. O órgão quer saber como ficará a continuidade dos contratos em andamento e como ficarão os créditos futuros do Pronaf.
Garcia concorda que a Agência de Desenvolvimento não terá a capilaridade que hoje tem o Banestado. Mas salientou que as operações do Pronaf serão absorvidas via Banco do Brasil, conforme determinação do Banco Central de acabar com a concorrência entre bancos públicos numa única atividade. ‘‘Sob o ponto de vista da eficiência, não tem sentido dois bancos públicos atuarem com a mesma linha de crédito’’, argumentou. ‘‘Aliás é em nome dessa eficiência que serão mantidos os juros de 5,75% ao ano para o microcrédito ao produtor rural, acrescentou.
Nos financiamentos da Agência de Desenvolvimento para os empreendimentos maiores, as taxas praticadas deverão variar entre 6,5% e 9% ao ano. Essas taxas serão as mais baixas do mercado, porque o governo federal está emprestando recursos do BNDES para o governo do Paraná investir em programas sociais, com uma taxa de 6,17% ao ano, incluindo o custo operacional.
Sobre a continuidade dos contratos em andamento, Garcia tranquilizou os tomadores dos empréstimos. As operações que não estão vencidas serão repassadas para a Agência de Desenvolvimento que vai receber os recursos no dia do vencimento e fazer o pagamento ao BNDES.

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