Banestado precisa de R$ 1 bi para ser saneado, afirma Neco
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terça-feira, 26 de agosto de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Arquivo FolhaMaus negóciosO presidente do Banestado, Neco Garcia: Banco tem créditos a receber, mas não sabe se serão pagosO presidente do Banestado, Manoel Garcia Cid, afirmou ontem que o banco precisa hoje de R$ 1 bilhão, ou até R$ 1,5 bilhão, para ser saneado. Os números finais estão sendo apurados em auditoria feita por técnicos do Banco Central (BC). O levantamento deve estar concluído em um mês. O governo espera conseguir os recursos para resolver os problemas financeiros do Banestado através da privatização.
O banco chegou a estes altos números por causa de operações mal feitas dentro do espírito bancário. O banco tem créditos a receber, mas não se sabe se serão pagos ou não. Pelo que acompanhamos, muitas operações não serão recebidas, explicou o presidente do Banestado. O que não for pago vai para liquidação e cai como prejuízo para o banco, disse Neco Garcia.
Se fizer a privatização, o Banco Central concordará em emprestar R$ 2,5 bilhões ao Estado. O dinheiro servirá para a rolagem da dívida do Estado e poderá ser pago em até 30 anos. Segundo Neco Garcia, do total que o governo poderá receber, R$ 900 milhões serão transferidos ao Banestado para que seja feito o acerto das finanças.
Neco Garcia disse ainda que o dinheiro do governo federal tranquiliza a situação. O banco teria sua parte financeira saneada, garantiu. Desde o leilão das ações da Copel em Nova York, o Banestado ficou numa situação mais tranquila, deixando de ser tomador de dinheiro no mercado financeiro. A Copel aplicou o dinheiro obtido com a venda das ações no Banestado, o que permite ao banco deixar de pagar os juros do mercado financeiro.
A condição do governo federal para emprestar dinheiro aos Estados passa pela saída dos governos do sistema financeiro. Nós não somos obrigados a privatizar. Mas se não fizermos isso teremos que ter dinheiro para fazer um aporte de capital e isso é a dificuldade momentânea do governo do Estado, disse Neco.
A proposta do governo do Paraná é transferir as ações do Banestado para o Fundo de Previdência do Estado, que está em fase de criação. O BC deve se pronunciar se aceita ou não o modelo de privatização até o final de setembro.


