Arquivo FolhaDesempenhoPresidente Murta Ramalho: provisionamento para créditos duvidosos atrapalhou muito no anoO Banestado lucrou R$ 12 milhões em 1996. O balanço da instituição financeira relativo ao ano passado deve ser publicado até o dia 27 deste mês, e segundo o presidente do banco, Domingos Murta Ramalho, o Banestado deve ser o único estadual com resultado positivo no exercício de 1996. ‘‘Seguramente o Banestado é o melhor banco estadual do Brasil’’, afirma.
O lucro do Banestado, modesto, poderia ter sido maior, segundo a direção, se o banco não tivesse realizado provisões de recursos para o caso de não receber créditos duvidosos. A direção do banco optou por sacrificar a rentabilidade atual do negócio para reduzir riscos futuros.
‘‘Sem o provisionamento, poderíamos ter tido um lucro maior. Mas optamos por segurança e pelo saneamento completo das contas’’, diz Ramalho. Em 95, o Banestado havia apresentado um lucro de R$ 40 milhões.
Cerca de R$ 300 milhões foram utilizados nas provisões. Os recebimentos de créditos duvidosos entrarão no balanço como lucro líquido, o que elevará os lucros futuros da instituição.
Um dos pontos positivos do balanço banco é o aumento dos depósitos em cadernetas de poupança, que ultrapassaram a marca de R$ 1 bilhão, com cerca de 2 milhões de contas. Com este desempenho, a instituição comemora a liderança em depósitos em poupança entre os bancos da Região Sul do País. Outro destaque do balanço é a redução da inadimplência, que ficou abaixo de 1,5% do total de ativos da carteira de crédito.
O presidente do banco considera positivo o desempenho do Banestado em 1996 e atribui isto às ‘‘ações de adaptação ao novo cenário econômico, que minimizou os lucros do sistema financeiro em geral’’. Ao longo do ano, o banco implantou um processo de reestruturação visando reduzir despesas e ampliar receitas.
Agora, a direção do Banestado pretende cortar mais R$ 8 milhões por mês na folha de salários nos próximos dois anos. ‘‘Neste período deverão se aposentar cerca de 700 funcionários. Ao mesmo tempo há o desligamento normal e ainda a adesão de funcionários ao programa de demissões voluntárias, já em andamento’’, diz Murta Ramalho. Além das aposentadorias, o banco pretende desligar mais 1,9 mil funcionários, reduzindo em 22% o quadro atual, de 11,6 mil empregados.
A reestruturação que o Banestado vem implantando há dois anos já consumiu recursos de R$ 50 milhões em investimentos em informática e treinamento de funcionários. Todas as agências do banco estão informatizadas e interligadas via satélite. Os empregados da empresa passaram por 653.725 horas de treinamento em 1996.

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