'Banestado está pronto para privatização'
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de setembro de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
O Banestado entra na reta final da privatização, marcada para o dia 17 de outubro, na Bolsa de Valores do Paraná. Cinco bancos Bradesco, ABN-Amro, Unibanco, Itaú e Santander estão pré-qualificados e até o dia 13 analisam toda a documentação do Banestado para checar se vão comprar um banco saneado e competitivo no mercado. Depois do Banespa, o mais disputado entre os bancos estatais é o Banestado. Mas para chegar a esta situação, houve um doloroso processo, que custou aos cofres públicos R$ 5,8 bilhões (valores corrigidos).
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, garante que o banco está enxuto para a privatização. Tiramos todos os esqueletos do armário, compara. Os esqueletos são, na verdade, os escândalos de corrupção, desvio de verbas, beneficiamentos políticos e ingerências dos governos estaduais, que usavam o banco como se fosse uma Casa da Moeda, que pode emitir dinheiro. Casos como o da Leasing, onde a diretoria é investigada por liberar empréstimos irregulares para 33 empresas (algumas fantasmas), no valor de R$ 226 milhões. Ou então empréstimos para políticos ou empresas que não tinham a mínima capacidade de honrar pagamentos. O Estado ficou com o mico.
O Banco Central foi obrigado a injetar os R$ 5,8 bilhões para que o Banestado não quebrasse, deixando na mão milhares de correntistas. O contribuinte paranaense vai pagar a conta, pois o Estado terá de pagar com juros, em 30 anos, o dinheiro emprestado do Banco Central. O governo arcou ainda com créditos de difícil recuperação no valor de R$ 1,8 bilhão. Stephanes acredita que no máximo R$ 400 milhões serão recuperados. Leia a seguir a entrevista concedida à Folha:


