Banestado espera repasse do BC para os ''próximos dias''
Depois de quase seis semanas de análise e negociação, o Banco Central poderá liberar nos próximos dias os recursos que serão utilizados para o saneamento do Banestado. O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, disse ontem que prefere trabalhar com cautela e afirma que os R$ 4,5 bilhões do Banco Central chegarão no máximo no início da semana que vem. Não quero gerar expectativas, mas esperamos a decisão para qualquer momento, afirmou.
Ao mesmo tempo em que faz declarações cautelosas, Stephanes age com determinação junto à diretoria, como se o dinheiro estivesse nos cofres do banco até o final desta semana. Ele pediu para que diretores e assessores providenciassem todas as informações sobre o destino exato dos recursos e aplicações que deverão ser feitas com mais urgência. Stephanes quer repassar estes detalhes à imprensa, assim que houver a autorização do Banco Central.
Stephanes avalia que as mudanças no comando do Banco Central e o próprio feriado do Carnaval contribuíram para um atraso de alguns dias na liberação dos recursos. Estas mudanças no Banco Central nos obrigaram a esperar um pouco mais. Mas o importante é que nossa documentação está toda certa, disse o presidente do banco. Na última sexta-feira, o Banco Central aprovou toda a papelada que trata do saneamento e privatização do Banestado.
Mais otimista que Stephanes, o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, apostava ontem na possibilidade de o dinheiro sair até amanhã. O Stephanes não vai anunciar nesta quinta-feira que o dinheiro chegou?, perguntou o secretário, que ainda estava no Hotel Mabu, em Foz do Iguaçu, onde passou o Carnaval. Gionédis disse que a liberação do dinheiro dependia de pequenos entraves burocráticos da Secretaria do Tesouro Nacional.
Os R$ 4,5 bilhões vão ser colocados no Banestado em forma de títulos federais (LFTAs e LFTBs), cuja emissão já foi autorizada pelo Ministério da Fazenda. O dinheiro servirá para sanear as contas do Banestado, deixando a instituição saudável para a privatização, o que está previsto para acontecer até a data limite de 30 de junho deste ano. Dos títulos federais, as LFTAs poderão ser convertidas em dinheiro, enquanto as LFTBs são títulos com resgate em um prazo de oito anos, que não podem ser trocados por moeda corrente.
Os recursos liberados pelo Banco Central terão o seguinte destino: R$ 1,9 bilhão para recompor o patrimômio do banco, R$ 600 milhões para a carteira de desenvolvimento, R$ 294 para gastos gerais, R$ 253 para quitar dívidas com o Funbep (Fundo de Previdência dos Funcionários do Banestado), R$ 200 milhões para quitar débitos do FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico), R$ 188 milhões para recuperar créditos podres, R$ 100 milhões para o Plano de Demissão Voluntária, R$ 100 milhões para capitalizar a Agência de Fomento (Banco do Povo), R$ 98 milhões para quitar a incorporação da Banestado Reflorestadora, R$ 86 milhões para aquisição de bens, R$ 28 milhões para pagar dívidas menores como a do Grupo Atala. O total que falta para fechar os R$ 4,5 bilhões, que são R$ 700 milhões, deverão injetados pelo governo do Estado para comprar os títulos podres de Alagoas, Pernambuco e Santa Catarina e dos municípios de Osasco e Guarulhos. Pelo contrato assinado com o Banco Central, o governo do Estado coloca as ações da Copel como garantia de pagamento.Arquivo FolhaMapa da minaStephanes, presidente do Banestado: levantamento com urgência sobre uso específico do dinheiroCarmem Murara





