Carmem Murara
De Curitiba
Os dekasseguis de todo o Estado e os que já estão morando fora do Brasil vão poder contar a partir de amanhã com os serviços do Banestado no Japão. O banco fechou uma parceria com o Banespa que permite aos brasileiros que moram no Japão enviar dinheiro para o Brasil como se fosse pelo Banestado. O banco paranaense utiliza a estrutura do Banespa para conseguir captar os dólares economizados pelos trabalhadores brasileiros que foram embora em busca de melhor remuneração financeira.
O acordo entre os dois bancos traz benefícios para ambos. O Banestado consegue aumentar sua carteira de dólares, que podem ser utilizados para outros serviços como créditos para exportação e importação. Os dekasseguis depositam o dinheiro economizado no Banespa e a família dele recebe o dinheiro em reais em uma agência do Banestado, na cidade paranaense onde mora.
O Banespa tem a vantagem de conseguir atrair maior número de clientes para seu banco. Caso ele queira abrir uma nova conta ou utilizar um serviço extra, ele o faz pelo banco paulista. ‘‘Remessas de dinheiro serão creditadas para o Banestado, enquanto abertura de contas fica com o Banespa’’, explicou o consultor técnico de câmbio do Banestado, Oscar de Araújo Santos. Há dois anos o Banestado quis abrir sua própria agência bancária, mas devido ao processo de saneamento o Banco Central proibiu a operação.
Santos foi um dos coordenadores do projeto que permitiu a parceria com o Banespa. Ele diz não saber o quanto o Banestado poderá captar com o convênio, mas garante que a operação será lucrativa. ‘‘É um mercado cobiçadíssimo. Muitos bancos como o Bradesco e Unibanco querem lançar serviços semelhantes’’, disse o consultor. Os bancos em geral chegam a movimentar até US$ 15 milhões em remessas estrangeiras para o Brasil.
A quantidade de dekasseguis brasileiros que trabalha no Japão é grande. O relatório do consulado japonês indica que havia 170 mil dekasseguis fora do País em 1997. Hoje são 270 mil, sendo que deste total 35% são oriundos do Norte do Paraná, onde há forte concentração de comunidades nipônicas.
A quase totalidade dos dekasseguis vai ao Japão em busca de um salário melhor que possa garantir investimentos futuros no Brasil. As famílias que emigraram costumam mandar para o Brasil, em média, US$ 12 mil mensais, enquanto que uma única pessoa faz remessas entre US$ 300 e US$ 2,5 mil.
Os gerentes das agências bancárias de Maringá serão treinados hoje para operar as transações financeiras com o Banespa no Japão. O treinamento em Londrina será na sexta-feira. Se a parceira der certo, o Banestado poderá fazer o mesmo com a Itália e Nova York, onde há grande número de brasileiros.

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