Arquivo FolhaFim das especulaçõesGionédis que participa de coletiva hoje, que tem como objetivo tranquilizar acionistasO ex-ministro da Previdência Reinhold Stephanes e o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, concedem uma entrevista coletiva logo mais às 14 horas, na sede do Banestado, no bairro Santa Cândida, em Curitiba, para falar sobre o saneamento do banco. Eles vão detalhar para onde vão os R$ 2,6 bilhões em títulos públicos depositados pelo Banco Central na última sexta-feira.
Essa é a primeira parcela do socorro financeiro de R$ 4,5 bilhões (valores de hoje) autorizado pelo governo federal em meados de 98, em troca do saneamento e imediata privatização do Banestado. O vice-presidente do banco e diretor de privatização, José Evangelista de Souza, também estará presente.
A entrevista tem um objetivo. Tranquilizar os acionistas do Banestado e acabar com as especulações que rondaram o banco nas últimas semanas. A liberação da primeira parcela transformou-se numa ‘novela’, arrastando-se do dia 25 de janeiro - posse de Stephanes - até sexta, quando o Ministério da Fazenda fez o depósito dos papéis.
Nesse período, as informações desencontradas agitaram o mercado financeiro e os meios políticos do Paraná. A tese de federalização, emenda do senador Roberto Requião (PMDB) rejeitada pelo Senado no final de 98, chegou a ser ressuscitada, o que causou a irritação Stephanes.
Com a saúde financeira comprometida há anos, principalmente pela inadimplência, por operações sem lastro de garantia e pela compra de títulos públicos podres de difícil resgate, o Banestado passou a tomar diariamente no sistema interbancário R$ 2 bilhões para fechar suas operações financeiras, o que representa um prejuízo de R$ 2 milhões, em média, por dia.
O socorro financeiro vem em forma de títulos do tipo LFTAs e LFTBs. Destes, as LFTAs poderão ser convertidas em dinheiro, enquanto as LFTBs são títulos com resgate em um prazo de oito anos, que não podem ser trocados por moeda corrente.
O governo trabalhava com a liberação integral dos R$ 4,5 bi. O parcelamento altera o cronograma anunciado no dia 17 de fevereiro por Stephanes. Pelo esboço apresentado na época, os R$ 4,5 bi - fora os R$ 700 milhões de contrapartida do governo pelo ‘mico’ dos títulos podres - teriam o seguinte destino: R$ 1,9 bi para recompor o patrimômio do banco, R$ 600 milhões para a carteira de desenvolvimento e R$ 294 mi para gastos gerais.
O Funbep (Fundo de Previdência dos Funcionários) ficaria com R$ 253 mi, como quitação de uma dívida do Banestado com a instituição. Outros R$ 200 milhões iriam para o FDE (Fundo de Desenvolvimento Econômico), R$ 188 mi para recuperar créditos podres, R$ 100 mi para o Plano de Demissão Voluntária, R$ 100 mi para capitalizar a Agência de Fomento, R$ 98 mi para quitar a incorporação da Banestado Reflorestadora, R$ 86 mi para aquisição de bens, e R$ 28 mi para pagar dívidas, como a do Grupo Atala.

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