Carmem Murara
De Curitiba
O Banestado desistiu de leiloar o Banco Del Paraná – instituição financeira com sede no Paraguai, segundo informou ontem a Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A assesoria da CLC disse que o Banestado cancelou o leilão para adotar uma nova estratégia de venda do Del Paraná, que sairá das mãos do governo do Estado junto com a privatização do Banestado e não mais num processo isolado de venda, como estava previsto no processo de saneamento do banco paranaense.
O leilão do Del Paraná estava marcado para o dia 2 de setembro, na Bolsa de Valores do Paraná. Esta seria a terceira tentativa de vender a instituição financeira, pois outros dois leilões foram adiados, em julho, por falta de interessados na compra.
Pela sua assessoria de imprensa, o presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, confirmou a intenção da mudança no processo de venda, mas preferiu dizer que a alteração ainda está sendo definida. ‘‘O leilão deverá ser cancelado, pois o Del Paraná será vendido junto com o Banestado’’, declarou Stephanes. Há duas semanas, em entrevista à Folha ele já havia manifestado a intenção de fazer a venda casada, justificando a mudança pela falta de compradores.
O Del Paraná seria leiloado por um lance mínimo de R$ 21.035.155,99, que equivale ao Patrimônio Líquido do banco. O Banestado tem 75,49% do controle acionário do banco paraguaio, que passaria por completo para uma outra instituição financeira.
O Itaú chegou a demonstrar interesse na compra, mas recuou durante a etapa de pré-qualificação, na véspera do leilão passado. O banco queria que o Banestado desse uma garantia extra, que poderia ser a formação de um fundo de R$ 21 milhões para eventuais créditos a serem liquidados. Não houve acordo entre as partes. Stephanes chegou a ir a Assuncion para uma reunião com o Banco Central do Paraguai para discutir o caso do Del Paraná. Ele concluiu que a situação econômica e política daquele país dificultou o processo de venda.

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