Banestado deixa de recorrer ao mercado
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segunda-feira, 08 de março de 1999
Vânia Casado 
Desde ontem, o Banestado deixou de recorrer ao mercado interbancário, onde vinha captando R$ 2 milhões por dia para fechar suas operações financeiras. Este é o primeiro reflexo positivo da liberação da primeira parcela de recursos do Banco Central para o saneamento do banco, no valor de R$ 2,6 bilhões. Os recursos, enviados em títulos federais (LFTAs e LFTBs), começam a ser negociados no mercado a partir de hoje, o que já permitu ao banco fazer provisão de capital que o dispensa de recorrer ao interbancário.
Os recursos da primeira parcela serão aplicados integralmente na capitalização do banco, disse o presidente Reinhold Stephanes, em entrevista concedida junto com o secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. O saneamento total do banco depende da liberação dos recursos previstos de R$ 4,737 bilhões. O valor inicial era de R$ 4,5 bilhões, agora corrigido pela taxa Selic.
Stephanes não vê nenhum problema na possível demora na liberação do restante dos recursos porque o fundamental era a primeira parcela, referente à capitalização do banco que fazia com que incorresse em prejuízos diários de R$ 2 milhões. O banco vinha pagando 3,49% ao mês aos bancos credores.
A liberação do restante dos recursos depende do encaminhamento do processo de ajuste do banco, como o Plano de Demissões Voluntárias (PDV), avaliação da eficiência de agências e aquisição de créditos por parte do governo. Stephanes acredita que o restante do capital será liberado em até 60 dias. O presidente do Banestado não arriscou uma data para a privatização, prevista inicialmente para o final de junho. Afirmou, entretanto, que já recebeu o sinal verde do Ministério da Fazenda e do BC para a prorrogação do prazo. A previsão é que em 90 dias a partir do final de junho a privatização esteja concluída.
Na outra parcela a ser liberada, R$ 126 milhões serão aplicados no PDV, a ser deflagrado em abril. O objetivo é reduzir o quadro de 10 mil funcionários para 8 mil só com o PDV. Outros R$ 371 milhões serão aplicados em outros ajustes que não estavam previstos inicialmente, como a eliminação dos prejuízos acumulados com as contas indadimplentes ou de difícil recuperação. Stephanes detalhou ainda que R$ 240 milhões serão aplicados na aquisição de créditos junto ao Fundo de Desenvolvimento Estadual, R$ 100 milhões na aquisição da Companhia Reflorestadora por parte do governo do Estado, R$ 750 milhões para compra da carteira de fomento do Banestado e R$ 230 milhões em aquisição de ativos e créditos.
Stephanes não descartou a possibilidade do fechamento de agências deficitárias. Disse que já foram iniciados estudos para medir a eficiência de cada uma e que as deficitárias serão reestruturadas para se tornarem rentáveis. O Banestado 391 agências em 95% dos municípios paranaenses.
Stephanes informou ainda que a agência em Nova York encerra atividades em 31 de março. A agência das ilhas Cayman foi fechada dia 22 de fevereiro. Já a venda do Banco Del Paraná é mais demorado, reconheceu Stephanes, porque a atividade é mais complexa e depende da legislação paraguaia.


