A diretoria do Banestado entrega amanhã ao Banco Central o cronograma do projeto de reestruturação interna do banco estadual. O documento, que será levado a Brasília, apresenta todas as medidas efetivas que serão adotadas até 30 de junho do próximo ano, data limite para o banco ser vendido à iniciativa privada. A primeira meta a ser implantada é o corte de diretorias. A redução começa nesta semana e deve estar concluída até a segunda quinzena de outubro.
Com o remanejamento de cargos e funções, as 21 diretorias existentes no banco pasarão a ser apenas seis. A equipe responsável pelo processo de reestruturação já tem a definição de quais diretorias vão ser extintas, mas os nomes estão sendo mantidos em sigilo, por enquanto. Vários cargos de supervisor e chefias de departamentos também vão ser cortados. ‘‘Até mesmo a minha diretoria vai ser extinta’’, diz o diretor de Reestruturação e Privatização do Banestado, Fausto Lacerda, ao comentar que possuiu uma diretoria ‘‘auto-destrutiva’’ que deixa de existir em junho de 1999.
Entre as medidas que serão apresentadas está a reforma estatutária do Banestado. ‘‘A reforma altera a estrutura do banco, que está muito cheia de chefias e departamentos. Tudo isso faz com que o banco tenha uma série de entraves, o que afeta o desempenho e gera morosidade’’, afirmou Lacerda.
A redução na estrutura deverá ser vista pelo Banco Central como uma das primeiras medidas práticas que o governo do Estado toma no processo de preparação para a privatização. O Banco Central quer que o Estado viabilize o mais rápido possível o enxugamento do Banestado. Somente após este passo é que ele pretende viabilizar o empréstimo antecipado de R$ 1 bilhão ou R$ 1,5 bilhão que servirá para retirar o Banestado do sistema interbancário, onde o banco toma recursos para fechar as operações financeiras diárias. Até agora, o governo não assinou o empréstimo-ponte, porque faltam as medidas práticas, avaliam alguns diretores do banco.
Outro empecilho que fez com que o Banco Central retardasse a assinatura do empréstimo foi a falta de alguns documentos não enviados a Brasília. Até a primeira semana de setembro, o Banco Central esperava os papéis e relatórios que a Secretaria da Fazenda deveria enviar mas não mandou. Os documentos foram remetidos na semana passada. Eles informam sobre o orçamento, arrecadação e capacidade financeira do Estado.

mockup