O Banco do Estado de São Paulo (Banespa) informou ontem que rejeitou a proposta do pool de 38 bancos que renegocia a dívida financeira de R$ 600 milhões da construtora Encol, por considerá-la desvantajosa. Segundo o Banespa, a Encol lhe deve R$ 80 milhões. O acordo oferecido pelo pool previa a transformação desse débito em novo empréstimo de R$ 300 milhões, no qual estaria inclusa a dívida anterior de R$ 80 milhões.
Além disso, o Banespa teria de abrir mão de garantias da Encol para o empréstimo e de processos judiciais que move contra a construtora - três ações de execução, duas em São Paulo e uma em Brasília. ‘‘A diretoria do Banespa considerou que, nessas condições, não seria possível chegar a um acordo’’, disse um porta-voz da instituição.
Ainda assim, informou o porta-voz, o Banespa continua disposto a encontrar outra opção para negociar com o pool de bancos uma forma de receber os R$ 80 milhões que a Encol lhe deve. Também existe a possibilidade de o Banespa financiar diretamente os mutuários da Encol, desde que a construtora acerte as dívidas que possui com o INSS e FGTS.
No sábado, a Comissão Nacional dos Mutuários da Encol pedira uma audiência com a diretoria do Banespa para saber quais as razões reais de a instituição retirar-se do pool que tenta renegociar a dívida da Encol. Em carta que a Comissão Nacional enviou à direção do Banespa, os mutuários afirmam que a instituição não perderá nada com o acordo, pois a dívida já havia sido reescalonada e a Encol tinha-se comprometido a pagá-la dentro dos novos prazos. A renegociação das dívidas da Encol com o sistema financeiro previa alongar o perfil dos débitos de curto e médio prazos da construtora. Os mutuários afirmaram que esperam que o Banespa cumpra o acordo e lembraram que há uma determinação legal em que a instituição é obrigada a aplicar recursos na área habitacional.

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