Bandeira de Kireeff, cidade industrial não sai do papel
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terça-feira, 14 de março de 2017
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local 

Uma placa na beira da Avenida Saul Elkind, na zona norte. Esse é único vestígio da Cidade Industrial de Londrina (Cilon), uma das principais bandeiras da administração do ex-prefeito Alexandre Kireeff (PSD), que pode não sair do papel. Quando deixou o governo, no fim do ano passado, Kireeff dizia que o parque industrial poderia começar a ser construído imediatamente. Mas, a atual administração, do prefeito Marcelo Belinati (PP), afirma que há muita coisa a fazer antes de implementar a Cilon, inclusive seria preciso rever o Plano Diretor da cidade, processo que pode demorar muito tempo.
A previsão era que as obras de infraestrutura tivessem início em agosto do ano passado, segundo uma entrevista do então prefeito Kireeff à FOLHA publicada em julho de 2016. O ex-presidente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel), Bruno Veronesi, diz que a administração municipal anterior percorreu todos os trâmites para a implantação do parque industrial e que ficou faltando concluir o perfil de ruas para então iniciar as obras. "O projeto sofreu várias transformações ao longo do caminho. Por exemplo, o DER (Departamento de Estradas e Rodagem) exigiu que deixássemos espaço para o Contorno Norte, a Promotoria de Meio Ambiente fez exigências sobre a distância do Rio Jacutinga. Essas adequações atrasaram o projeto. Sabíamos que seria demorado", justifica.
O terreno destinado à Cilon fica na na Avenida Saul Elkind (sentido Londrina-Cambé) a 3,6 km da PR-445 e da BR-369. A área, que pertencia à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-LD), foi adquirido por R$ 24,7 milhões parcelados em oitos anos.
De acordo com Veronesi, a demanda para o parque industrial não é imediata, mas várias empresas solicitaram à Codel informações a respeito dele."O poder público tem que ter a oferta e depois criar a demanda", comenta. Isso teria ocorrido com o parque tecnológico na zona Leste, que rapidamente se esgotou após a sua implantação. "Esses mais de 200 terrenos vão se esgotar rapidamente", enfatiza.
Para a infraestrutura da área, a Prefeitura negociou uma verba de R$ 20 milhões do Paraná Cidades, através da Fomento Paraná. Mas, de acordo com Veronesi, o projeto é autossustentável, uma vez que as empresas pagarão pelo terreno. A venda seria com incentivos calculados conforme o número de empregos gerados, impostos, graus de atenção ao fator ambientais e outros requisitos que ainda não definidos.
Apesar de rumores de que o projeto possa ser engavetado, o atual presidente da Codel, Nado Ribeirete, afirma que a intenção é dar continuidade a ele. Mas antes de tirá-lo do papel é preciso rever o plano diretor, para desburocratizá-lo. "Hoje, a atividade de zoneamento é regulamentada em metros quadrados, por exemplo. A zona industrial 2 permite empresas de até 2 mil metros quadrados. Se ela precisar ampliar sua área, terá que mudar de local", explica.
Segundo Ribeirete, a execução do projeto está "delineada só no papel". "Existe uma estrada longa pela frente. Precisamos ver qual é a demanda, o perfil, os critérios para fazer a licitação", diz o presidente.
Ele afirma que não existe no Codel relação de empresas interessadas em se instalar no local. "Não vamos criar expectativas sem ter o básico para dar o start. Precisamos ver o perfil da empresa que queremos e garantir que ela vai valorizar o pessoal local", afirma.
Ribeirete também comenta que a administração precisa avaliar a questão financeira. "Temos que avaliar as condições do financiamento da Fomento Paraná (referindo-se aos R$ 20 milhões do Paraná Cidades), porque já temos que pagar o terreno para a Cohab", justifica.
VOCAÇÃO
A necessidade de industrializar a cidade é um assunto discutido há tempos pelas entidades empresariais. A Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) acompanha de perto o projeto da Cilon. "Faltou para Londrina o impeto de dotar a cidade com infraestrutura e logística. E Londrina é considerada uma cidade difícil no quesito burocracia, para a receptividade de empresas. Às vezes, demora até dois anos para a aprovação da instalação de uma indústria", afirma Cláudio Tedeschi, presidente da Acil.
Na opinião dele, mais importante do que oferecer a estrutura de um parque industrial, é preciso desburocratizar os processos, agilizar a liberação da instalação, identificar as áreas nas quais a cidade pode ser forte e criar condições especificas para atender esses setores.


