Banda B atrai 11 grupos econômicos
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segunda-feira, 07 de abril de 1997
Agência Estado de Brasília 
Quinze consórcios, representando 11 grupos econômicos, entregaram ontem no Ministério das Comunicações propostas pelas concessões da banda B da telefonia móvel celular, uma licitação que vai render R$ 6 bilhões, segundo o ministro Sérgio Motta. Grandes operadoras telefônicas da Europa, Estados Unidos e Ásia estão entre os investidores. O número de interessados surpreendeu a maioria dos concorrentes, mas ficou abaixo da previsão do ministro, que chegou a afirmar haver 20 consórcios na competição.
A pouca atratividade do mercado de telefonia celular na Região Norte foi, porém, uma projeção acertada de Motta. A licitação da área 8 (Amazonas, Roraima, Amapá, Pará e Maranhão) terá que ser declarada vazia, uma vez que não houve qualquer oferta pela concessão. Segundo o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Renato Guerreiro, a lei de licitações permite agora a negociação direta com um potencial interessado.
A Região Centro-Oeste foi outra que estimulou pouco os investidores. O destino da concessão da área 7 (Goiás, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Acre e Distrito Federal) está praticamente decidido, com oferta única da Amaricel, empresa constituída por fundos de pensão, BB Investimentos, Banco Opportunity, Citibank, Indústria La Fonte e as operadoras canadenses Bell Canada e Telesystem.
Líderes de consórcios que não chegaram a apresentar propostas para essas áreas apresentaram três razões: baixa densidade populacional, poder aquisitivo restritivo e dispersão geográfica. Mas o consenso é que o preço mínimo de R$ 200 milhões da área 8 é muito alto. Para o presidente da AG, Otávio Marques de Azevedo, seriam necessários mais R$ 200 milhões em investimentos nos três primeiros anos da concessão, o que inviabilizaria o negócio.
O presidente da Teldin, do Grupo Evadin, Antônio Carlos Rego Gil, concorda que o preço mínimo da área 8 é alto, mas justifica que não apresentou ofertas pelas dez concessões porque tem planos de participar, também, da privatização do Sistema Telebras. Temos uma visão ampla da privatização, declarou.
Paraná e Santa Catarina se revelaram os mercados mais cobiçados: apenas um dos grupos econômicos deixou de apresentar proposta para a área 5, cujo preço mínimo estabelecido pelo Ministério das Comunicações foi de R$ 330 milhões. A eficiência das teles estaduais, particularmente a Telepar, não inibiu os proponentes, que consideram o Sul um mercado rico.
Rio de Janeiro e Espírito Santo (área 3), com preço mínimo de R$ 500 milhões, receberam nove ofertas. O mercado carioca, apesar da migração da Telerj da banda B para a banda A ainda em andamento, está para ser organizado e explorado.
Mas o Ministério deve conseguir o maior ágio sobre os preços mínimos das concessões da Grande São Paulo (área 1) e interior do estado (área 2). Consultores dos consórcios acreditam que as ofertas vão superar R$ 1 bilhão para cada uma dessas áreas, podendo até alcançar ágio de 100%. As propostas dos sete consórcios interessados na área 1 devem ser abertas já em maio.
A Comissão Especial que coordena a licitação da banda B deve anunciar os consórcios que permanecerão na concorrência no prazo máximo de 40 dias, segundo o secretário-executivo do Ministério das Comunicações, Renato Guerreiro. A Comissão Especial chegou a montar um esquema especial de segurança ontem para receber as pilhas de envelopes e caixas transportadas em dois carros-fortes. Os documentos ficarão num cofre. Projeções sobre os custos de elaboração das propostas variam de R$ 50 milhões a R$ 300 milhões por consórcio.
A principal preocupação dos representantes dos investidores durante a cerimônia de ontem era garantir que não houvesse motivos para impugnação da licitação. Após o registro dos representantes legais, foram identificados os consórcios e as áreas para as quais faziam ofertas.
Os primeiros envelopes que serão abertos conterão as ofertas pelas áreas 1 (Grande São Paulo) e 7 (Centro-Oeste). Projeções do ministério indicam que, até o fim de 1998, haverá 4 milhões de telefones celulares em funcionamento no País.


