Bancos vendem segurança nos fundos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de julho de 1997
Agência Estado São Paulo 
O susto provocado nos novatos do mercado acionário pela volatilidade dos últimos dias nos fundos de investimento de ações e renda fixa provocou uma agressiva reação de marketing dos administradores de carteiras dos bancos, aumentando a concorrência neste setor. O apelo principal na estratégia dos fundos passou a ser a segurança, um item que se tornou importante pelo medo provocado pela queda das cotações das ações. São os casos do lançamento dos fundos de investimento que oferecem a garantia de devolução integral do capital investido, mesmo que a Bolsa despenque, com cláusula de retorno parcial da valorização das ações, e o fundo de carteira livre com rendimento atrelado ao juro e resgate automático.
O Banco Santander, o Boston e o Cidade, por exemplo, anunciaram fundos com retorno do capital garantido e retorno de parte da valorização da Bolsa. Vieram se somar a outros bancos que já trabalham com este tipo de produto, como o Citibank e o Itaú. Até agora, este tipo de fundo ainda tem patrimônio pequeno, por volta de R$ 1 bilhão, mas os administradores consideram um produto de grande potencial. À medida que os novatos do mercado descobrem que investir em ações pode dar calafrios no meio do caminho, este tipo de fundo acaba servindo como uma luva, pois combina garantia de retorno do capital investido, mesmo sem correção alguma, com a vantagem de alguma coisa da rentabilidade das ações.
Existem na praça, hoje, cerca de 20 fundos com retorno garantido e todos eles operam com o patrimônio aplicado em papéis de renda fixa. Os administradores deste fundos calculam o juro pago por estes títulos no período de 60 dias e separam estes recursos para comprar, por exemplo, opções de Telebrás. Ou seja, se a opção cair e virar pó, mesmo assim o patrimônio estará intacto. Se a opção subir, o patrimônio do fundo vai render o juro mais esta valorização da opção. O risco é o fundo render zero de rentabilidade, mas não há hipótese de variação negativa das cotas.
Já os fundos de carteira livre com aplicação automática foram criados para render alguma coisa, sempre, combinando papéis de renda fixa com operações cruzadas com opções que acabam sempre rendendo juros. Existem hoje cerca de R$ 4 bilhões aplicados nesse tipo de investimento.
Os cerca de 20 bancos que operam este tipo de fundo estavam possibilitando acesso ao overnight com cláusula de aplicação e resgate automático para determinados clientes, principalmente pessoas jurídicas, com compensação de pagamento da CPMF. A decisão do Bradesco de permitir essa modalidade para seus clientes provocou acirramento da concorrência, que não esperava esse movimento do maior banco privado do País. A reação dos administradores de fundos vai ao encontro à descoberta de que os fundos de ações e de renda fixa alavancados podem dar rendimento negativo nas cotas. No limite, pode zerar o patrimônio do fundo e ainda virar negativo, obrigando o investidor, que é solidário, a colocar mais dinheiro para honrar o prejuízo. Em lugar da rentabilidade, a segurança passou a ser, de novo, um novo item de marketing.


