Bancos tiram US$ 523 mi do Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 16 de agosto de 2003
Ney Hayashi da Cruz<br> Agência Folha 
Bancos tiram US$ 523 mi do Brasil
Brasília - No primeiro semestre deste ano os bancos estrangeiros retiraram US$ 523 milhões que estavam investidos no país, segundo dados do Banco Central. O valor se refere às multinacionais que venderam suas filiais brasileiras e mandaram o dinheiro de volta às suas matrizes.
Desde o final do ano passado já se notava desaceleração no ingresso de investimento estrangeiro. Entre os principais setores da economia, porém, os bancos foram os únicos que, neste ano, não só investiram menos no Brasil como também pegaram de volta parte do dinheiro que haviam investido.
Mesmo em setores que sofrem com a falta de investimentos, como o de infra-estrutura, a entrada de recursos ficou positiva. No semestre, foram investidos US$ 226 milhões em energia, contra US$ 883 milhões nos primeiros seis meses do ano passado. No caso da telefonia, os investimentos caíram de US$ 2,8 bilhões para US$ 306 mi.
No caso dos bancos, porém, o ingresso de US$ 648 milhões registrado no ano passado se transformou numa fuga de US$ 523 milhões neste ano.
De acordo com o último levantamento feito pelo BC sobre o assunto, em 2000 os estrangeiros possuíam US$ 14 bilhões investidos no setor bancário do país.
Só neste ano, já deixaram o Brasil o BBV (Espanha), Banco Fiat (Itália) e o Mizuo Corporate Bank (Japão), que, desde os anos 80, era acionista do Unibanco.
Para Alberto Borges Matias, sócio-diretor da ABM Consulting e professor da USP, a forte concorrência do mercado nacional é um dos fatores que explicam a saída.
No Brasil, as maiores redes de agências estão nas mãos dos bancos nacionais, como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco e Itaú. ''Às vezes na Europa inteira um estrangeiro não tem uma rede como a que o Banco do Brasil tem aqui'', diz Matias.
As perdas dos bancos com as crises enfrentadas por outros países emergentes, como a Argentina, acabaram espantando os estrangeiros da América Latina e, consequentemente, do Brasil. ''O Brasil acaba pagando pelos pecados dos outros'', afirma.


